setembro 27, 2021

Por: Celso Malavoloneke

 

A meio das férias, recebi um simpático convite da Huawei – UNITEL para participar online no lançamento dos serviços de “mobile money” (dinheiro via celular, em tradução livre) que resultara da parceria entre as duas empresas. A Huawei fornecera uma solução tecnológica flexível, adequada à nossa realidade e fácil de ser manejada por utentes e agentes, e a UNITEL pusera à disposição a sua formidável rede de cobertura tele-comunicacional, a maior do país.

Com grande pena minha, não pude aceitar o convite - já tinha programada uma excursão para o leste da província da Huíla onde me encontrava, nomeadamente no meu município natal do Kuvangu. Mas expressei à simpática senhora que transmitiu o convite a minha enorme satisfação por essa conquista e prometi que tão logo me fosse possível iria lá ver de perto como o sistema funciona.

O meu entusiasmo pelo assunto tem várias justificações, todas a ver com as minhas vivências profissionais: em 2015, quando era Director de Comunicação Institucional e Imprensa do MINARS, e no quadro dos primeiros passos das acções de transferências sociais monetárias não contributivas, fui enviado a fazer um curso de formação de um mês em Cape Town, sobre o assunto. É que eu era, então, defensor ferrenho da tese que me tinha sido inculcada na universidade canadiana onde me formei em Planeamento de Desenvolvimento Rural Internacional, que nunca se deve dar dinheiro às comunidades apoiadas. “Antes dar o anzol e ensinar a pescar que dar o peixe”, dizia-se. De forma que a então nova abordagem de dar um montante mensal às famílias beneficiadas fazia-me muita confusão na cabeça. Fui fazer o curso, compreendi o conceito e lá escolhi a especialidade de “inclusão financeira”.

A segunda vivência tem a ver com a minha participação enquanto Secretário de Estado da Comunicação Social no desenho do Projecto Kwenda. Sendo uma das componentes a entrega trimestral de 8.400 Kzs às famílias mais vulneráveis (entenda-se nas zonas mais remotas), fazer chegar este dinheiro é (era) um verdadeiro bico-de-obra. Um bom número de municípios não possui uma agência bancária sequer; outros só têm uma – o BPC – que funciona(va) com muitas deficiências. Lembro-me que, em 2019, fui em missão de serviço da vacinação da Pólio uma vez ao Chipindo/Huíla e outra ao Chitembo/Bié e tivemos que transportar as enormes quantidades de dinheiro vivo necessário para pagar ao pessoal e a logística da campanha, com todos os riscos que isso acarretava.

Na solução destes problemas logísticos pelo Projecto Kwenda, surgiu a ideia de, à semelhança do que já acontece em outros países, incluindo aqui na SADC, recorrer ao conceito do “mobile money”. Para isso, começou-se a discutir a ideia com a UNITEL. Aqui cabe fazer uma sentida homenagem à finada Dra. Eunice de Carvalho que, uma vez contactada, transformou-se numa entusiasta incondicional do projecto. O seu apoio, que se situava mais na vertente da responsabilidade social da empresa que numa nova área de obtenção de lucros – que até acaba sendo – e a sua inquebrantável fé e compromisso com os mais desfavorecidos foram fundamentais para que a UNITEL não desistisse perante os enormes desafios técnicos e tecnológicos que o projecto enfrentava. Ao ponto que, mesmo depois do seu infausto desaparecimento, a força da sua memória continuou a ser uma força motriz para aqueles que ficaram a tocá-lo para a frente…

É precisamente na solução de uma solução tecnológica simples, mas eficiente, que pudesse ser utilizada sem muita formação, que surgiu a Huawei no projecto. Com a experiência de outros países, tornou efectivamente possível que já se vislumbre no horizonte as famílias beneficiadas do Projecto Kwenda receberem a sua transferência monetária, bastando para isso ter um número UNITEL e viver perto de um agente UNITEL, seja ele uma loja ou um “mamadu”.

As enormes vantagens deste sistema financeiro não saíam da minha cabeça enquanto percorria os municípios do leste da Huíla: Quipungo, Matala, Jamba, Kuvangu… e em cada vila que passava, procurava nas ruas e na memória a existência de agências bancárias: Quipungo tem uma, tal como Jamba e Kuvangu; só Matala tem duas. Essas agências, ou não têm dinheiro, ou não têm sistema, ou os trabalhadores ausentaram-se para o Lubango… os multicaixa esquece, nunca têm dinheiro e quando têm são aquelas enchentes, principalmente no fim do mês. Por outras palavras, o sistema financeiro funciona com muita deficiência.

É isso que o “mobile money” pode resolver. Para já, acontece fora dos bancos. Entram mais dois actores no sistema financeiro do município e das comunidades: as lojas UNITEL (que também são poucas, é verdade) e os comerciantes das lojas de esquina (vulgo “mamadus”), esses em grande quantidade e que, de facto, já prestam esses serviços sem pagar um Kwanza de imposto ao Estado. Isso, e a quase falta de burocracia, é que, tenho a certeza, vão fazer a verdadeira diferença. E nisto, a Huawei foi visionária. O aplicativo que apresentou é tão fácil de usar que requer o mínimo de treinamento.

O impacto deste serviço na economia municipal e comunitária é enorme. Primeiro, vai ser mais fácil e rápido enviar dinheiro das cidades capitais para os municípios e comunas, o que significa dizer que vai haver mais dinheiro disponível lá para lubrificar a economia. O dinheiro nestas localidades é realmente sempre ao vivo e é muito escasso, o que prejudica os pequenos produtores e o comércio local. Segundo, vai possibilitar transacções mais ou menos grandes entre os agentes económicos locais de forma rápida, eficaz e segura. Estão definitivamente para trás os dias em que o Secretário de Estado tinha que carregar o seu jipe de caixas de dinheiro para pagar as despesas de uma campanha numa localidade distante. Da mesma forma, as famílias beneficiárias da acção social do Estado podem recebê-la em dinheiro. Mesmo as ajudas alimentares podem ser disponibilizadas desta forma, eliminando a logística, onerosa e consumidora de tempo, e possibilitando aos beneficiários adquirirem no mercado local o tipo de quantidade de géneros que consomem melhor, injectando no processo, dinheiro na economia local. Esses três são factores de inclusão financeira. Há um outro aspecto de importância nada desprezível que tem a ver com a não saída da massa monetária do circuito oficial: ao circular de forma mais digital que física, os dinheiros passam a não sair do controlo do sistema financeiro nacional. O que vai eliminar um dos maiores problemas com que se tem deparado nos últimos anos.

É por essas e outras razões que fiquei particularmente entusiasmado quando os serviços financeiros móveis arrancaram. Bem-haja à UNITEL e à Huawei, e faço votos que os serviços se expandam o mais rapidamente possível a todos os cantos do país. Encorajo e faço votos que os serviços sociais, comerciais, pequenas indústrias e até o Ministério das Finanças – no tocante aos pagamentos dos funcionários públicos e pensionistas – não hesitem em usar este serviço, de forma a potenciá-lo e assim trazer para mais perto dos cidadãos menos desfavorecidos, e não só, os benefícios dos serviços financeiros formais.

 

 

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A cada dia que passa, tem sido cada vez mais crescente a onde de burlas, na internet e fora dela, sendo que a tática dos burladores são mensagens de textos, com números das redes Unitel e Movicel.

Cidadãos mostram-se preocupados e indignados com a facilidade e o “a vontade” que têm os burladores, de usar os números Unitel e Movicel para “ludibriarem” suas vítimas, fazendo-se passar por instituições financeiras e, nalgumas vezes, fazem-se passar por instituições estatais, tal como é a última mensagem que chegou à nossa redacção, supostamente do Ministério do Trabalho onde anunciava vagas de emprego, seguida da indicação de um número de telemóvel, da rede Unitel.

A tática é convencerem as vítimas sobre a existência de vagas de emprego, apropriarem-se dos seus valores financeiros, através de transferências bancárias e, depois, rumarem para a próxima.

O que alarma os cidadãos é que, segundo fez saber o Jovem Wilson, vítima de uma burla, “esta onda de ataques acontece sobre os olhos dos serviços de investigação criminal; sobre os olhos das operadoras de telefonia móvel; e sobre os olhos das instituições bancárias, existentes no país”.

Em uma mensagem, enviada à um cidadão, onde o destinatário faz recurso a um número da rede Unitel, diz o seguinte, “ BANCO-BAI. Caro cliente. Actualiza ja o seu Multicaixa a partir do ATM mais proximo de ti, dentro de 5h sera Bloqueado. Ligue para Actualizar”, lê-se na mensagem que é seguida pelo terminal telefónico.

 

 

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O desenvolvimento social e económico de um país, há muito que ficou também dependente das infra-estruturas tecnológicas existentes. Apostar neste tipo de infra-estrutura, é a melhor saída para o crescimento sustentável das pessoas. A abertura do concurso público (que escolheu a Africell) por parte do governo angolano, com vista a elevar o número de operadoras de telefonia no país, não será (penso eu), para nós clientes ou usuários, um mero sentido de cumprimento de números.

Os dados mostram que o crescimento acelerado da inclusão digital e do ecossistema da internet em África é suportada maioritariamente por operadoras móveis de telecomunicações. Em Angola a realidade não é diferente. A Unitel, a Movicel e num futuro breve a Africell, terão de "lutar" pela aceitação permanente dos cerca de quinze milhões de assinantes de telefonia móvel e sete milhões de utilizadores de Internet.

Julgo que não tem sido uma tarefa fácil para as duas operadoras móveis actuais e nem será quando a terceira (móvel) iniciar as operações, julgando pela maturidade do consumidor angolano, principalmente dos serviços de telecomunicações.

De acordo com os dados do INACOM, que aponta para sete milhões de usuários de internet em Angola, no universo de quinze milhões de assinantes dos serviços de telefonia móvel, será um factor a ter em conta (por parte das operadoras) nesta "batalha" de elevar a fasquia do número de usuários de internet em Angola, propondo planos atractivos para os que já têm acesso e criar políticas de redução de preços dos dispositivos que facilitam o acesso à internet, com vista a incluir os cerca de oito milhões de usuários de telefonia móvel sem acesso à internet - serviço com mais procura no sector de telecomunicações nos últimos tempos.

Enquanto estudante na Índia - o segundo maior mercado de telefonia móvel do mundo, conheci duas (entre as nove) operadoras que disputam freneticamente a concorrência daquele país: a Airtel e a Vodafone Índia. Pela minha necessidade, que era essencialmente do uso de internet, escolhi a Airtel, não por ser a maior operadora do país, mas sim por atender o que precisava, por um custo mais baixo do que as demais. Para se ter uma ideia, a Airtel tem um plano de 3 GB de dados por dia, durante três meses, com direito a chamadas gratuitas e ilimitadas para clientes da sua rede por um valor equivalente a 2.700,00 Kz. Quem ganha com isso, com certeza é o cliente.

Quando não há concorrentes a altura, quem sofre é o consumidor que se vê na obrigação de consumir o que lhe é imposto na ausência de outras alternativas. Porém, não se pode pensar que o número de operadoras por si só, fará com que haja maior satisfação das necessidades dos consumidores. A capacidade de entregar produtos e serviços de qualidade e a menor custo, definirá a aceitação dos consumidores em qual das três operadoras aderir.

 

As falhas apresentadas nos serviços da Unitel, neste final de semana, entre as 17 e 20 horas, não foram identificadas.

Neste fim-de-semana, cidadãos se depararam com uma falha técnica, apresentada no sistema de voz e mensagem, o que preocupou e impossibilitou a realização de algumas tarefas.

A Unitel avançou, em um comunicado oficial, que já houve a restauração do sistema e que os serviços já se encontram restabelecidos mas que, não se sabe ao certo o que estaria na base deste problema.

Ainda assim, usuários queixam-se pela lentidão da rede, em algumas zonas na cidade de Luanda, como Sapu, Zango e, até, segundo um comentário de um usuário da rede, para chamadas internacionais.

Em comunicado, a Unitel lamenta o sucedido e pede desculpas aos cidadãos, pelos transtornos causados.

A Unitel é a maior rede de telefonia móvel do país que fornece os serviços de voz, SMS e NET aos usuários.

 

 

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por:  Celso Malavoloneke, Sociólogo da Comunicação

 

Assim mais ou menos “de kaxêxe”, sem muita gente dar-se conta, fez-se história no desenvolvimento do nosso país: a partir de 25 de Agosto deste ano, as pessoas já podem enviar dinheiro a parentes, amigos ou parceiros comerciais através da rede UNITEL. Nem é preciso possuir conta bancária, basta ter um número de telefone desta operadora. Faz-se história porque, de repente, os cerca de 11 milhões de utilizadores da operadora móvel entram sem mais porquês no sistema financeiro nacional.

Esse serviço – lançado a 23 de Agosto, em Luanda – tornou-se possível graças a uma parceria entre a UNITEL e a gigante de tecnologias chinesa Huawei, que fornece o suporte tecnológico. Esta plataforma “capacita as plataformas e serviços de pagamento móvel com as suas tecnologias inovadoras, capacidade de P&D, experiência e ecossistema, com o objectivo de fornecer um serviço seguro, confiável e conveniente para clientes locais com experiência de primeira classe”, lê-se no comunicado distribuído à imprensa na ocasião.

E o que isso significa exactamente? Significa que qualquer pessoa pode movimentar entre 25 e 300.000 Kwanzas de cada vez sem precisar de ter conta bancária. Pode enviar dinheiro para outra pessoa ou empresa, pagar água, energia ou outros serviços de uma forma rápida e segura, sem precisar de nenhuma daquelas burocracias necessárias para abrir conta num banco. Melhor, sem os riscos de enviar valores através de um portador ou algo semelhante. Através da plataforma disponibilizada pela Huawei, basta digitar *449# e o número UNITEL que, no seu conjunto, funcionam como número de conta bancária. Enviado o dinheiro por essa via, o beneficiário recebe uma mensagem instantânea no seu telefone e pode dirigir-se a qualquer agente UNITEL em qualquer das 18 províncias e 164 municípios angolanos.

Nas minhas andanças pelo país, tenho-me sentido muitas vezes angustiado com a falta ou com o deficiente serviço do sistema financeiro no interior. Já estive em municípios que não possuem uma única agência bancária e os funcionários têm que se dirigir a outras localidades, às vezes a dezenas ou mesmo centenas de quilómetros de distância, o que diminui a sua frequência no serviço. O comércio nestas localidades é feito totalmente com dinheiro vivo e é literalmente impossível enviá-lo sem ser através de um portador. Tudo isso agora fica completamente ultrapassado graças a esta parceria UNITEL-Huawei. Não só as pessoas nas cidades vão poder enviar dinheiro a parentes e familiares nos municípios e aldeias de forma rápida e segura – é aqui que se faz história – como também as enormes quantidades de dinheiro vão retornar para o circuito financeiro e deixar de estar fora dos bancos, como acontece agora. Finalmente, pode dizer-se, estamos a entrar na economia digital e na consequente inclusão financeira. Sem traumas nem “kigilas”.

Outro factor facilitador desta plataforma disponibilizada pela Huawei é que todos os actuais agentes da UNITEL, desde as lojas mais sofisticadas aos “mamadus”, podem ser agentes do “mobile money”. E isso traz outra vantagem: grande parte do dinheiro no circuito informal sob controlo destes actores comerciais vai também entrar para os circuitos formais. Por outras palavras, à inclusão financeira vai juntar-se a quebra de factores importantes de informalidade de que enferma a nossa economia.

Desde que começou o confinamento por causa da pandemia da Covid-19 vimos defendendo que as propostas tecnológicas da Huawei proporcionam uma oportunidade de desenvolvimento socioeconómico e produtivo do país e dos angolanos, pois não só oferecem a capacidade de realizar à distância funções que antes exigiam proximidade ou presença, como ainda garantem uma maior eficácia. Esta entrada na economia digital por via do “mobile money” parece ser apenas o primeiro de muitos passos. Tal como o telefone celular e o cartão multi-caixa, tudo indica que, em questão de meses, os serviços facilitados por esta parceria UNITEL – Huawei passará a fazer parte do dia-a-dia dos angolanos.

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