abril 11, 2021

O país ainda goza dos serviços de Televisão de Transmissão Analógica, mas essa realidade poderá mudar brevemente.

A informação foi avançada pelo Director Nacional das Telecomunicações e Tecnologias de Informação do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Matias Manuel da Silva Borges, na cerimônia de assinatura do acordo técnico da televisão digital terrestre entre a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e Angola.

Segundo fez saber Matias Borges, este acordo surge por orientação da União Internacional das Telecomunicações segundo a qual, todos os países são obrigados a migrar a sua tecnologia analógica para digital.

“Nós começamos com o Japão e hoje assinamos o acordo técnico para que possamos trabalhar na elaboração do plano director, que nos vai orientar na implantação do projecto a nível da canalização dos serviços de migração digital,” disse.

O processo de migração da tecnologia analógica para a digital vai permitir a expansão da telemedicina, teleaulas e dos serviços de meteorologia.

A televisão digital terrestre de Angola, segundo fez saber Matias Borges, é um sistema aberto de antena, destinado aos usuários de forma gratuita, podendo contar com a fibra óptica apenas para fazer a interligação dos sites a nível dos transmissores.

O projecto piloto teve lugar em Luanda e de seguida para a província de Malanje, e até pelo menos em 2023, o país vai migrar para a tecnologia digital na sua totalidade.

O memorando de assinatura de acordo técnico da televisão digital terrestre entre a Agência de Cooperação Internacional do Japão ( JICA) e Angola aconteceu nesta sexta-feira (19), numa cerimônia que reuniu várias entidades do Governo, entre as quais o Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem.

Como de costume, as terças-feiras na LAC tem Conversas 4.0, e o dia 16 de Março foi marcado com o debate em torno do "Capital humano no centro da transformação digital", tema que teve como convidados, representantes de empresas angolanas que gerem o seu recurso humano por métodos tecnológicos, nomeadamente: Carlos Ás, da African Talent, Cláudio Silva da Pumangol e Miguel Oliveira da Jobartis.

Edilson Almeida como moderador do programa, puxou de início por Cláudio Silva para breves considerações sobre a importância do capital humano na trasformação digital.

"Hoje em dia, ao pensarmos com as ferramentas digitais conseguimos posicionar qualquer economia de um país rumo ao crescimento e tudo isso, com uma melhor organização do seu capital humano. Se não houver este entendimento entre as pessoas, as coisas não funcionam e o saldo de uma empresa acaba sempre por ser negativo em termos de produtividade", afirmou o representante da Pumangol.

Sobre como a produtividade dos colaboradores pode influenciar de maneira positiva numa empresa por meio das ferramentas tecnológicas, Carlos Ás esclareceu que a tecnologia não é a principal preocupação.

"São as pessoas e o talento. Sem isto, esta tecnologia não pode ser utilizada. Para qualquer organização com o objectivo de se adaptar a um futuro digital, o grande desafio é dar competências a esta nova geração, aplicando ferramentas de como eles devem melhorar, como serem bons líderes e enquadrá-los através de relatórios que permitem as administrações analisarem e interagirem melhor enquanto organização, permitindo facilitar processos, resolver situações de forma mais dinâmica num mundo cada vez mais volátil", disse o representante da African Talent.

Para Miguel Oliveira, os gestores de empresas, devem trazer a maior dimensão humana de forma a integrar no desenvolvimento tecnológico. "Temos que ser sempre capazes de privilegiar e oferecer aos trabalhadores todas as condições que necessitam para trabalhar, entender e beneficiar da tecnologia", referiu o representante da Jobartis.

Como um gestor que adora inovar e descobrir talentos, Carlos Ás apontou uma realidade que pode parecer distante das pessoas, mas é importante para que os líderes entendam o novo conceito e como deve ser enquadrado de forma a actualizar profissionalmente os seus colaboradores.

"Isto não basea-se somente nas empresas tecnológicas, mas em todas as organizações. Todas aquelas funções e cargos que eram uma tarefa cognitiva com anos poderão desaparecer, e este aspecto no futuro pode ser um problema para a readaptação, e nós em Angola não será diferente", frizou o técnico da African Talent, que vê a tendência de existir mais desempregos.

"A necessidade será nos capacitarmos, não apenas em formação, mas em fomentar o nosso autodesenvolvimento e perceber aquilo que é importante numa carreira", referiu.

O debate no Conversas 4.0 decorre todas as terças-feiras, das 10 as 11 horas, com a moderação de Edilson Almeida e tem continuidade também a terça-feira, em formato de Live, no Facebook do Tech 21 Africa.

Por: Celso Malavoloneke


Há cerca de quatro semanas estava por acaso no Lubango quando um dos meus “afilhados” – entenda-se Padre cujo percurso vou acompanhando desde o início da sua vida vocacional –, no caso o então Padre Joaquim Nhanganga Tyombe, natural da Cacula/Huíla, foi nomeado pelo Papa Francisco Bispo do Uíge. Alegria total! Ao telefonar-lhe para felicitá-lo, surpreendeu-me com um pedido: “Gostaria que cantasse na minha Missa de ordenação o Magnificat em Lumwíla que compôs há alguns anos para a Senhora do Monte. Pessoalmente, se possível…”. Encabulado e um pouco contrariado, afinal viajar de Luanda os três fins-de-semana que faltavam não era nada mole, mas… como dizer “não” a tão ilustre “noivo”? Lá aceitei.

No dia em que viajei para o Lubango, uma estação de televisão convidou-me para participar num debate em directo… via Zoom. Tive que fazê-lo a partir de lá e foi um desastre. O sinal da internet (o wi-fi do hotel) estava baixíssimo e caiu pelo menos três vezes, quase sempre quando estava a intervir. Senti-me frustrado, porque fiquei com a impressão que não tinha conseguido transmitir as minhas ideias, apesar da simpatia e profissionalismo do jornalista Daniel Nascimento que conduziu o debate. O bom do Daniel jurava a pés juntos que acabou correndo bem… e eu tipo já acreditei só.

No último ensaio para a Missa do Bispo – a tal em que ia cantar – apareceu o “amigo do Facebook” Victor Presley com a sua página “Paróquia Virtual” e, assim de abuso, pediu-me uma “entrevista em directo”. Achei graça e dei, mas a verdade é que para o meu espanto, em menos de uma hora já estava a receber mensagens de amigos, até dos Estados Unidos, dizendo que tinham visto a minha entrevista e o cheirinho dos ensaios e que no dia seguinte seguiriam a Missa em directo por aquela plataforma virtual. Fui à minha página e de facto “se encontrei lá”, já com centenas de gostos e comentários, todos antecipando o dia seguinte.

Dia seguinte que de facto foi um show. Na ausência da cobertura em directo das nossas televisões, que é caríssima, a “Paróquia Virtual” ficou com o exclusivo. Fez a transmissão em directo das cinco horas e meia da Missa “urbi et orbi” (para o Lubango e o Mundo) com uma qualidade de imagem e som impressionantes, para cerca de 14 mil pessoas! Sem contar com as mais de 150 pessoas, incluindo eu, que a continuam a visualizar até ao momento em que escrevo estas linhas. Ao contrário de uma televisão convencional que necessita um carro de exteriores, uma equipa de 10 a 15 pessoas e um sinal satélite para fazer essa grande cobertura, o bom do Victor apenas precisou… dele próprio, um bom smartphone (já descobri que o melhor actualmente é o Huawei Mate 20 Pro)… e do sinal normal da internet do saldo de dados. Como neste dia o sinal comportou-se lindamente, a cerimónia ganhou uma cobertura que está até agora disponível para quem a queira visualizar, re-visualizar ou até gravar. Enquanto eu mesmo revia a Missa, ia pensando na tremenda revolução comunicacional que acontece e ainda está para acontecer com as novas tecnologias de informação e comunicação. Uma pessoa e um smartphone ligado à internet fizeram literalmente o mesmo trabalho que uma equipa completa de uma estação televisiva normal.

Isso remete-nos a duas reflexões, sem prejuízo de outras também importantes: a primeira, que se os órgãos de comunicação social tradicionais no nosso país não se reinventarem urgentemente correm o risco de serem irremediavelmente ultrapassados pelas novas plataformas de comunicação digitais, mais baratas, mais práticas, mais simples e mais rápidas; a segunda, que não vale a pena pensar na imposição de barreiras legais, institucionais ou financeiras para impedir o pleno acesso dos cidadãos à informação. As novas tecnologias de informação e comunicação, cada vez mais baratas e simples de manusear, encarregaram-se de tornar isso literalmente impossível. Hoje mais que ontem e seguramente hoje menos que amanhã.

O que nos remete para os nossos crónicos problemas de conectividade. Há pouco mais de três semanas, a media internacional noticiou a apresentação em Londres, capital do Reino Unido, pela Huawei, de um projecto inovador nessa área a que chamaram “Rural Star Pro Solution”, Solução Pro Estrela Rural, em inglês. É uma torre simples que comporta uma solução tecnológica integrada, alimentada por dois painéis solares, que fornece sinal de dados, voz e rádio para comunidades de até 500 pessoas. Fáceis de instalar, já foram colocadas em centenas de áreas remotas em vários países de África, com destaque para a Nigéria e África do Sul. Asseguram os promotores que, enquanto o retorno do investimento das soluções tecnológicas tradicionais leva de 8 a 10 anos a acontecer, esta solução fá-lo em 3 a 4 anos. Uma certeza fica: resolveriam - e de que maneira - as dificuldades actuais de milhares de estudantes, profissionais de saúde e outros, os benefícios que hoje por hoje reconhece-se que a conectividade acarreta.

O Campeonato Mundial de Empreendedorismo ou Entrepreneurship World Cup (EWC), maior ecossistema global do segmento, recebe inscrições de 08 a 26 de Março de 2021. A iniciativa que combina uma competição de pitch com acesso a uma plataforma global com recursos de treinamento virtual, mentoria, conexões valiosas, possibilidade de investimento e uma série de oportunidade de prémios que mudam vidas, é gratuita e está aberta para todas as pessoas que possuem uma equipa e um projeto de inovação, seja ele em estágio de ideação ou de crescimento.

O programa visa estimular qualquer pessoa, em qualquer lugar, a dar início ou expandir um negócio, e promover uma colaboração transfronteiriça entre empresários, investidores, pesquisadores, formuladores de políticas e organizações de apoio ao empreendedor.

Possibilitará ainda aos candidatos apresentarem as suas ideias para o mundo, e aos vencedores globais, lhes serão oferecidos US $ 75 milhões em prémios divididos em várias premiações, desde treinamentos, recursos, conexões, orientações, oportunidades de investimento, aceleração e um total de US $ 1 milhão em dinheiro para os vencedores do campeonato e das diferentes categorias.

Em Angola, é organizado pela primeira vez pela Acelera Angola, instituição que tem como missão contribuir para o crescimento económico e tecnológico do ecossistema de empreendedorismo, apoiando e investindo no desenvolvimento de pequenos negócios que estejam em fase inicial e não só, com potencial para o crescimento e diversificação da Economia, ajudando-os a obter investimento ou a atingir o seu ponto de equilíbrio, para que se possam lançar no mercado e se auto sustentar, visando inspirar e empoderar os empreendedores e promover o talento angolano. Segundo a equipa de Organização do evento, a importância de participar de um evento dessa dimensão: “Vai permitir destacar o espírito de resiliência na apresentação de ideias inovadoras e transformadoras que terão acesso a uma rede global de contactos e oportunidades, que poderão permitir alcançar a escala de outro tipo de recursos e possivelmente colocar Angola no mapa mundial com alguns vencedores através de iniciativas de inovação e empreendedorismo
com impacto. Será a primeira edição e queremos desafiar a todos para inscrição e acompanhar o concurso.”

O Campeonato Mundial de Empreendedorismo não seria possível sem a liderança do Misk Global Forum em conjunto com a Global Entrepreneurship Network (GEN) e o apoio de parceiros globais como a Global Educational and Leadership Foundation (tGELF) e um grupo de outros parceiros regionais e nacionais. A inscrição para o campeonato pode ser feito acessando o seguinte website: https://entrepreneurshipworldcup.com/

O Conversas 4.0 desta terça-feira (2) trouxe como tema de debate "Desafios e Oportunidades da Transformação Digital na Administração Pública", e Herlander Lima, professor universitário e mestre em governação local, Heitor Miguel, consultor de tecnologias e Osvaldo Cossa, engenheiro de software na Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique, discutiram o assunto que teve a moderação de Edilson Almeida.

Para o moderador que fez a nota introdutória, definiu que a administração pública é composta por um conjunto de regras nos processos de negócios, que possuem a idéia de viabilizar a jornada do cidadão no serviço público. Porém, existe uma lacuna, cuja solução vai na optimização na entrega nos serviços. Por esta questão, o paradigma do futuro que consiste na melhoria dos serviços públicos por meio das tecnologias é reduzir os custos e potencializar os processos, e isto para a realidade angolana impõe muitos desafios.

É preciso capacitar as pessoas

Heitor Miguel acredita que este conceito foca-se nos funcionários que devem adaptar-se na mudança do trabalho manual para o digital.

"Existem três pilares que são essenciais a olhar (processo, tecnologia e pessoas), e o grande desafio nestes três pilares são as pessoas, que têm de alguma formaos hábitos e, esta mudança deve ser pacífica. Lembro-me de ter feito a mudança nas alfândegas, que era uma empresa muito tradicional a funcionar com o papel. Tínhamos as tecnologias disponíveis e o grande desafio foram as pessoas, que foi necessário motivá-las. "Neste processo, devemos formar as pessoas, engajá-las e fazê-las perceber qual é o benefício da transformação digital", disse o mestre e consultor de tecnologias.

Já Osvaldo Cossa, apresentou ideias de criar soluções para educar as pessoas digitalmente, defendeu uma melhor organização interna das empresas públicas e acha que o seu país melhorou um pouco neste aspecto com a pressão da Covid-19.

"Em tempos de pandemia a tecnologia foi um bem maior para a nossa sociedade, porque as pessoas sentiram-se obrigadas a trabalhar a partir de casa. Mas dentro da própria organização, as pessoas mostraram-se um pouco resistentes e quando notaram que não havia outra forma de trabalhar e disponibilizar os serviços aos cidadãos, foram obrigados a entrar neste campo. Mas posso dizer que Moçambique tem dado passos galopantes em um ano na utilização das TICs", salientou.

O sucesso também depende das infraestruturas

De acordo com Heitor Miguel, Angola está muito bem servida o que permite a população aceder aos vários serviços, facilitando mais ainda o Estado na criação de mais prestações de serviços online, algo que anos antes da pandemia não era possível. "Parabenizo o Governo de Angola e as instituições públicas que investiram bastante nas telecomunicações", declarou.

No ponto de vista de infraestruturas de forma a criar as condições para que as administrações públicas apliquem um passo tecnológico, Herlander Lima vê um melhoramento com a rede de madiatecas, rede nacional de fibra óptica, a tentativa de lançar o Angosat e os cabos submarinos.

"Mas os números para que isto seja um sucesso tem a ver com as infraestruturas internas, como o caso da rede eléctrica e a telefonia móvel em todo o território nacional. Mas isto pode ser muito bem refinado a partir da administração local e isto ao meu entender, deve ser um grande desafio de todas as administrações municipais, porque as TICs são o grande pendor para a revolução das administrações públicas", acreditou o professor universitário, que aconselha os gestores públicos a firmarem parcerias com empresas especializadas em tecnologia de informação e comunicação.

"Todos os órgãos estatais devem ter um departamento de tecnologia e assumir uma responsabilidade de potencializar e colocar na grelha formativa para os quadros da administração, capacitar e fazer "update" central, local e sobretudo fazer parcerias. Ainda existem administrações municipais que têm problemas em usar computadores e é preciso fazer parcerias com aqueles que possuem o "know how" para os auxiliar nesta matéria", recomendou.

O programa conversas 4.0 acontece todas as terças-feiras, das 10 as 11horas, na LAC ( Luanda Antena Comercial), sob moderação de Edilson Almeida e tem uma extensão em live, a ser exibido as 19 horas do mesmo dia, no Facebook do Tech 21 Africa.

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