dezembro 04, 2020

Após acaloradas discussões relacionadas ao fraco desempenho do ambiente de gaming em Angola, devendo-se à fraca capacidade de infraestrutura que corresponde ao sector, a multinacional de telecomunicações, Angola Cables, apresentou na última sexta-feira 27 de Novembro, o Go Gaming GPN, um novo produto dedicado a mitigação de altas latências que possam ocorrer durante os jogos eletrónicos e que contribui directamente para a alta performance dos gamers em ambiente de competição ou entretenimento.

O GO Gaming GPN proporciona uma experiência nova e melhora o ping através de uma tecnologia de optimização inteligente. A Plataforma vai permitir com que os gamers tenham melhores experiências durante os jogos e conectá-los directamente aos servidores internacionais.

O novo produto funciona como um GPS (Global Positioning System) da internert, através de um algoritmo que calcula as rotas de forma automatizada, além disso, o GO Gaming GPN elimina as ineficiências de engenharia de tráfego, desviando as rotas com atrasos, perda de pacotes ou perdas de conexão. Paralelamente, disponibiliza um link directo, dedicado e protegido assegurando uma forte componente de segurança contra os ataques cibernéticos.

Segundo uma pesquisa da Newzoo, o consumo de videojogos durante a pandemia aumentou 45%, o que impulsionou consideravelmente a procura de mercado. Por outro lado, verificou-se também um aumentou de 15% no número de ataques cibernéticos somente no primeiro semestre de 2020, quando comparado a todo ano de 2019, indica a Netscout, empresa especializada em ciber-crime.

Com o aumento de pessoas a jogar online, foram registados problemas como rotas sobrelotadas.
Segundo o comunicado da Angola Cables, a solução GO Gaming GPN tem como benefícios a redução da latência na vertente da melhoria da resposta dos comandos de jogos online; Correção da perda de pacotes; Interacção directa com o node de gaming mais próximo; aumento do frame por segundo; qualidade superior de imagem; maior estabilidade de jogo; mitigação das perdas de conexão; protecção contra ataques cibernéticos;

“A Angola Cables dedica-se em entregar produtos de qualidade para os operadores, mas estes produtos nem sempre chegam aos gamers (consumidor final) com a qualidade desejada. Com a apresentação do GO Gaming, nos reposicionamos na cadeia de valor com o compromisso de trazer a máxima qualidade de conexão e experiência de jogo e entregar directamente ao utilizador final”, frisa o Coordenador de projecto de Gaming, Crisóstomo Mbundu.

Recentemente a Angola Cables lançou o IP Gamer, produto voltado ao segmento empresarial (B2B) que selecciona as rotas exclusivamente de gaming para um acesso optimizado. O GO Gaming é uma solução complementar e interdependente que se destina directamente para o utilizador final(B2C).

Com estas soluções, a Angola Cables reafirma o seu compromisso em continuar a apostar cada vez mais no crescimento do mercado de Gaming, assente numa boa qualidade de internet e um ecossistema de telecomunicações robusto, formado por uma infraestrutura de topo, como data centers, cabo submarinos, IXPs e uma equipa dedicada de especialistas.

A empresa multinacional de Telecomunicações Angola Cables tornou público, hoje, o nome do seu novo Presidente do Conselho Executivo, engenheiro Ângelo Gama, que passa de Administrador Técnico / CTO para CEO da empresa.

De acordo a uma nota de imprensa, publicada pela empresa, o engenheiro Ângelo Gama vai substituir o Engenheiro António Nunes, profissional que esteve no cargo desde a criação da empresa em 2009. O Engenheiro António Nunes continuará como Administrador da empresa, garantindo um processo de transição de continuidade na relação com os parceiros de negócio.

Adianta ainda a nota que, há dois anos na companhia, Ângelo Gama ocupava o cargo de CTO – Chief Technology Officer da Angola Cables, sendo responsável pela definição, operação e manutenção do parque tecnológico, pelos projectos de ampliação de infraestrutura, introdução de novas tecnologias e estratégias de inovação no negócio da companhia.

Agora como CEO, terá como desafio continuar a garantir o crescimento sustentado da empresa, na diferenciação do serviço face à concorrência, através da inovação e criação de valor com foco nas necessidades dos clientes e oportunidades do mercado.

Formado em engenharia eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, Gama possui várias certificações em gestão empresarial e de projectos. Em seu histórico profissional, participou de projectos especializados de gestão e administração de operações de telecomunicações em empresas como a MS Telcom em Angola, Three Mobile e Hewlett-Packard (HP), no Reino Unido e na Bélgica, além da experiência de consultoria para a Atos Origin, com base na Holanda.

A Angola Cables é uma multinacional do sector das TIC´s com soluções diferenciadas de conectividade para o segmento wholesale e corporate. Com uma infraestrutura de transporte robusta e rede IP altamente interconectada, a Angola Cables providencia acesso aos maiores IXP´s, Operadores Tier 1 e Provedores de conteúdos globais.

Através dos sistemas de cabos submarinos SACS, Monet e WACS conectamos as Américas, África e Europa, assegurando ligações para a Asia via parceiros. Gerimos o Data Center Tier III AngoNAP Fortaleza (Brasil) e o AngoNAP Luanda (Angola) bem como, o PIX e o Angonix, um dos maiores Internet Exchange Point de África.

A multinacional de telecomunicações Angola Cables é a primeira tecnológica Angolana a apresentar um produto de segurança de ataques na rede, denominado Anti-DDoS, com uma capacidade de mitigação global de 5Tbps, 100% automatizada disponível em todas as geografias onde a Angola Cables desenvolve operações (África, Europa e Américas).  

DDoS (distributed denial-of-service), são ataques mal-intencionados com objectivo de interromper o tráfego normal de um servidor ou provocar o congestionamento dos recursos da rede. Ataques por protocolo e volumétrico são os mais comuns (representam até 98% de ataques DDoS) e causam impactos profundos ao nível de infraestrutura, interrupção de serviços, perda de receitas e afectaçao negativa ao nível da reputação da entidade atacada.

Até hoje, a Angola Cables já assegurava como padrão, os níveis de protecção referentes a camada 1 (layer 1), para todos os seus clientes de IP Trânsito e continuará a oferecer esse serviço de segurança base.

A Angola Cables disponibiliza agora uma solução 360º capaz de atender até a camada de transporte de dados em tempo real (real time) (layer 4) e a camada de aplicação sob solicitação (layer 7) de clientes B2B.

Os benefícios directos do produto são:

  • Monitoramento 24/7, detecção, reporting e mitigação automática
  • Protecção contra a sobrecarga da largura de banda;
  • Desvio de solicitações e tráfego malicioso;
  • Protecção contra o esgotamento dos recursos de sistema;

O cliente tem também acesso a um Portal Web onde poderá consultar os analytics e dar instruções sobre a higienização da sua rede para além de suporte dedicado prestado por especialistas certificados em segurança, membros da nossa unidade Security Operational Center (SOC).    .

“Esta solução é ideal para Provedores de Internet que pretendam assegurar camadas complementares de segurança nos seus serviços e níveis adicionais de protecção contra os ataques DDoS, utilizando uma plataforma Web inteligente, granular e automatizada, adaptada às ameaças emergentes no ambiente online”, afirma o Administrador Técnico da Angola Cables, Eng. Ângelo Gama. 

Os ataques de DDoS são cada vez mais frequentes, complexos e em maior escala e podem atingir potencialmente qualquer entidade conectada na Internet independemente do tamanho da sua rede, localização geográfica ou sector de actividade. Segundo a Kaspersky, uma das mais referenciadas entidades de security a nível mundial, o número de ataques DDoS detectados e bloqueados na sua plataforma no segundo trimestre de 2020 é 217% maior do que período homólogo 2019.

“A Angola Cables entende que a era da conectividade e sobretudo num contexto actual em que o e-business cresceu exponencialmente, urge a necessidade de estarmos na linha da frente das soluções de conectidade & segurança, sendo que incentivamos os nossos clientes de Angola e demais geografias a realizarem um investimento preventivo na segurança das suas redes de forma a salvaguardar a continuidade das suas operações face a ataques DDoS”. Conclui o Administrador Técnico da Angola Cables, Eng. Ângelo Gama. 

A Angola Cables é uma multinacional do sector das TIC´s com soluções diferenciadas de conectividade para o segmento wholesale e corporate. Com uma infraestrutura de transporte robusta e rede IP altamente interconectada a Angola Cables, providencia acesso aos maiores IXP´s, Operadores Tier I e Provedores de conteúdos globais. Através dos sistemas de cabos submarinos SACS, Monet e WACS, conectamos as Américas, África e Europa, assegurando ligações para a Ásia via parceiros. Gerimos o Data Center Tier III AngoNAP Fortaleza (Brasil) e o AngoNAP Luanda (Angola) bem como, o PIX e o Angonix, um dos maiores Internet Exchange Points de África. Providenciamos serviços digitais para múltiplas indústrias e uma oferta customizada em recursos de cloud e gaming.

 

"Angola Cables taxa em dólares e nós, operadores, não podemos".

Em uma grande entrevista, prestada ao órgão de imprensa, Valor Económico, o Director Geral da ITA, Francisco Pinto Leite, apresentou a sua opinião com relação à taxação da Angola Cables.

Com mais de 30 anos de experiência nas telecomunicações, Francisco Pinto Leite acredita que, apesar das adversidades e de a economia nacional ainda ser incipiente, a curva vá mudar para o positivo. Critica o monopólio da Angola Cables. Culpa-a por ter preços, sempre indexados ao dólar, que determinam o preço alto das telecomunicações em Angola. E admite entender a subida de preços da Movicel.

Que caminhos é que as empresas tecnológicas têm trilhado com a economia e crise?

As empresas de tecnologias requerem alguma intensidade de importação de tecnologias, porque não somos produtores de tecnologias. Estamos a falar não só de produtos, mas também de serviços, como os operadores de televisão. Grande parte dos conteúdos de televisão hoje é importada. E entra no grupo de serviços. Isso é um grande desafio porque o actual cenário de desvalorização do sector regulador tributário, com as novas leis tributárias, não ajuda muito. Nas telecomunicações, o imposto industrial passou para 35%, enquanto nos outros sectores passou de 30% para 25%. A taxa de retenção na fonte para invisíveis, serviços como segmento espacial, satélite, conteúdos de televisão, consultoria e etc., passou de 6,5% para os 15%.

Quais são as vossas estratégias, com esta pandemia?

A nossa estratégia continua a ser a construção de uma infraestrutura capaz, com qualidade e de preços acessíveis. A semana passada foi pródiga em algumas questões relacionados com os preços das telecomunicações em que um dos operadores, a Movicel, foi publicamente quase apedrejado. Mas quem está no sector percebe as razões. Há um comunicado da Movicel que refere que 70% dos custos operacionais e de investimentos são em divisas. É verdade. Os custos operacionais têm que ver com as saídas internacionais que são basicamente definidas por dois operadores. Um é a Angola Cables, que detém o SAT-3, o cabo de fibra óptica. É um cabo com alguns anos e com alguns condicionalismos em capacidade adquirida pelo mercado interno. O outro operador é da Angola Cables, que detém o segundo cabo submarino que sai da Cidade do Cabo até Portugal. O terceiro cabo também é da Angola Cables. Sai de Angola ao Brasil. Quase todos os operadores estão muito condicionados pela Angola Cables. Paradoxalmente, a Angola Cables é uma empresa nacional e taxa em dólares e nós, operadores, não podemos indexar os nossos preços ao dólar. Os preços praticados pela Angola Cables são exageradamente caros. Estamos a falar em proporções de oito a dez vezes mais caros do que o mercado internacional. E esses preços só são feitos para Angola. Posso dar um dado sem qualquer problema. Uma ligação de 10 gigabytes, de Luanda para Portugal, de qualquer operador internacional posto em Sangano custa 14 mil ou, no máximo, 20 mil dólares. A Angola Cables cobra 200 mil dólares indexados ao dólar e estão todos os operadores a pagar e a população a pagar. E é isso que não se fala nas telecomunicações. Não tenho qualquer problema em falar, porque é a realidade do sector.

E isso impacta até na qualidade?

Isso impacta grandemente nos custos operacionais e até na qualidade de serviços que nós, os operadores, damos aqui. Isso impacta em toda a estratégia de inclusão digital. Este é um facto. Compreendo muito bem o que acontece com a Movicel. São custos operacionais indexados ao dólar. E isso faz com que as empresas tenham uma rentabilidade cada vez menor, porque os preços são dez vezes mais do que no mercado internacional. E isso não é justificável, de maneira nenhuma, pelos custos operacionais em Angola, pela falta de energia, pela segurança nos sites ou por geradores. Se estivermos a falar de uma diferença de 20% ou 30%, ok. Mas estamos a falar em diferenças de 600% ou 800%. Temos falado com o regulador e com outros órgãos do sector. A situação mantém-se e é extremamente visível.

O que é que o regulador diz?

O regulador promete um estudo. Mas não há mudanças deste paradigma. E entendemos que isso só é possível devido ao monopólio que a Angola Cables detém sobre os acessos internacionais. Apesar da regulação das telecomunicações permitir que outros operadores tenham acesso à narração directa dos cabos internacionais, há aqui alguma relutância e algum factor que é incompreensível pelo facto de não haver uma tomada de posição.

A população normalmente olha para aumento de preços. O poder de compra tem baixado. Como se pode salvaguardar a manutenção de serviços neste cenário?

Estamos num mercado em que as reclamações não são tão expostas. E podemos também perder alguns clientes. As reclamações são absolutamente legítimas. Os preços nas telecomunicações têm um componente percentual muito grande ligado à moeda estrangeira. E isso passa por serviços, que incluem conteúdos e tecnologias. Este é um sector de permanente investimento. Aqui podemos olhar mais holisticamente para o sector. Primeiro, com os serviços a passar a retenção na fonte de 6.5% para 15% só aí põe 8.5% de aumento de custos para as empresas. O segundo é que tem de haver uma posição mais clara do regulador relativamente aos preços indexados ao dólar. Todos os meses, as facturas dos operadores sobem. E são indexados ao dólar por uma empresa local. Há uma extrapolação daquilo que são as próprias leis do país, em relação ao comércio, o que devemos fazer em kwanzas. Isso é um facto. Não há como fugir objectivamente. A indexação ao dólar das saídas internacionais e a revisão dos preços praticados pela Angola Cables ou a abertura para outros operadores trazerem o seu tráfego internacional directamente dos cabos submarinos. E abrir assim o tal aspecto da partilha de infra-estruturas e da concorrência. Nas saídas internacionais, não existe um mercado aberto e de concorrência efectiva.

Existe algum operador disposto a investir neste segmento e assim permitir a concorrência?

O Wacs é um consórcio em que participam vários operadores de vários países. E o próprio acordo do consórcio permite que qualquer membro tenha possibilidade de usar uma estação terminal de outro país. Assim como a própria Angola Cables tem terminais, se não estou em erro, na Nigéria e na África do Sul. Porém o que acontece aqui é que a Angola Cables não permite que outros operadores entreguem serviços a terceiros a partir da sua estação terminal aqui em Luanda, em Cabo Ledo. E isso condiciona obviamente os preços. Indo até um pouco com aquilo que são as próprias regras do consórcio do Wacs. É uma situação 'sui generis', mas é a realidade.

A AGT tem feito muitos contactos e encontros com associações empresariais e empresários. Alguma vez foi dada a oportunidade de as empresas de tecnologias exporem as suas questões em relação às reformas?

Já. E inclusive por via do próprio Ministério das Telecomunicações e Comunicação Social. As empresas já mandaram o seu ponto de vista, inclusive apresentaram algumas propostas. Mas não houve qualquer mudança.

Com tantos desafios, que caminhos?

Além do que vem no ABC de gestão em crise, é acreditar no país. A economia em Angola ainda é muito incipiente. Mas acreditamos que a curva em algum momento vai mudar de sentido. Angola tem um potencial económico muito grande e ainda há bastante espaço, na área de telecomunicações e particularmente nas infraestruturas de telecomunicações e transmissão terrestre, para crescer, há mercado. O que oferecemos ainda é muito pouco para aquilo que poderão ser as necessidades do país. Angola não pode crescer se não tiver tecnologias. As tecnologias trazem eficiência e eficácia. E isso são factores diferenciadores na competição e na concorrência. Hoje, quando estamos a falar em concorrência, não estamos a falar apenas em Angola. Para relançarmos a economia, temos de falar em mercados não só interiores, mas também exteriores. Em mercados globais. O mundo é globalizado. E a economia angolana relançada também terá de o ser. O agricultor de tomate, lá na minha terra, em Kalandula, terá de competir nas mesmas circunstâncias que um agricultor na Namíbia, África do Sul, ou, eventualmente, no Brasil, que utilize tecnologias na produção.

É a hora de as empresas angolanas começarem a pensar global e não apenas internamente?

Não vejo alternativa. Angola, por mais que queira, não conseguirá bloquear as fronteiras aos produtos e serviços do exterior. Obviamente, que poderá aumentar as taxas alfandegárias e dar incentivos fiscais aos produtores nacionais. Isso é correcto. Mas agora, como aconteceu com alguns produtos da cesta básica, bloquear por decreto a importação de produtos, não conseguiremos fazê-lo por muito tempo, por causa dos acordos bilaterais e multilaterais na troca de produtos e serviços. Só nos resta um caminho, que é jogar com as mesmas armas dos outros: entrar na revolução 4.0.

Não pensa que, apesar das pressões de alguns gigantes da OMC, o Governo está a agir muito bem e deve arriscar e proteger a sua produção?

Qualquer Estado deve proteger e catalisar a produção interna. Mas isso não deve ser feito por via do bloqueio absoluto da importação. Há outros métodos para nos tornarmos mais competitivos. Um deles é o método das taxas alfandegárias. O outro é o crédito aos produtores nacionais e incentivos fiscais. Há uma série de métodos que fazem com que os nossos produtos se tornem realmente mais baratos e com qualidade suficiente para competirem com produtores internacionais. Porém, percebo um bocadinho o que terá acontecido com esta medida do Governo de bloquear alguns produtos de importação. Provavelmente, foi para quebrar alguns cartéis que condicionam a produção interna e, com interesse na importação, tomam conta de todo o ecossistema. Por exemplo, em cereais como a farinha de trigo ou alguns outros produtos. Parece haver aí alguns interesses um pouco até obscuros e talvez tenha sido isso que levou o Governo a tomar esta medida mais drástica.

Como olha para estratégia nacional de banda larga?

Abstenho-me de comentar directamente a estratégia do Governo. Eu próprio fico confuso de saber qual essa estratégia de banda larga. Não conheço nenhum documento mais concreto sobre essa estratégia a não ser o que vem no livro branco das telecomunicações.

Há demasiadas críticas de alguns operadores em relação ao estado da rede nacional de fibra óptica. O que pode ser feito para melhorar a rede?

A rede nacional de fibra óptica foi construída alinhada com a construção das estradas. Os dois factores tiveram influência. O primeiro foi não se ter partilhado infraestruturas de telecomunicações. Se for até Benguela, vai perceber que todos os operadores estão do mesmo lado da estrada, todos levam fibra óptica. Se houver um desabamento de terra, rompe com a fibra óptica de todos os operadores. Se tivesse havido uma visão mais global, na construção desta infraestrutura nacional, poder-se-ia ter um operador de um lado da estrada e outro ter-se-ia consignado outra trajectória de modo a formarmos autênticas redes no país. Não foi feito. Agora começa-se a falar mais incisivamente da partilha de infra-estruturas e isso vai provocar duas coisas: vai fazer com que mais rapidamente os operadores expandam as redes e que essas redes se tornem complementares umas das outras. Formando redes redundantes. Já está legislado em decreto presidencial, mas ainda faltam alguns aspectos do ponto de vista regulamentar. Essa lei tem de ser melhor regulamentada para que a efectivação prática tenha os resultados que todos esperam.

Esse decreto da partilha de infra-estruturas já existe há algum tempo. Que caminhos concretos é que deviam ser trilhados para que isso se efective?

Espero que as coisas andem neste quesito e comecem a fluir. Agora fala-se mais e existem mais intenções. Existem algumas acções muito incipientes. Mas provavelmente o passado recente de monopólios nas telecomunicações tenha levado a que o decreto presidencial, de 2014, não tenha avançado. Há avanços e recuos. Em algumas áreas, há a abertura de partilha, mas, em outras, há um sentido inverso, de tornarem menos partilhadas algumas infraestruturas.

A que se refere quando fala de avanços e recuos?

Alguns avanços, e que já se começa a ver por parte do regulador, são um acompanhamento mais de perto dos novos projectos e a possibilidade desses novos projectos, independentemente do investidor, serem partilhados. Hoje, o operador já requer que estes projectos passem pelo Inacom e seja feita uma consulta a outros operadores para a partilha. O próprio Inacom incentiva a partilha de infra-estruturas. Mas estamos a falar das nacionais. Nas saídas internacionais, ainda existe bastante relutância.

Como está a relação da ITA com o regulador.

A nossa relação é óptima. Não podia ser deutra forma. Cumprimos integralmente o estipulado. Participamos em eventos realizados pelo operador. Damos o nosso parecer em diferentes temas. Pode não ser 100% consensual, mas é boa.

A pandemia trouxe muitos desafios para as empresas. O que é que mudou na estratégia da ITA?

A pandemia afectou a economia no seu todo. No nosso portfólio, como aviação, turismo e mesmo do óleo e gás, os nossos clientes cancelaram ou reduziram substancialmente os serviços de telecomunicações devido à redução drástica das actividades. O efeito da pandemia sobre a economia teve um efeito muito particular no negócio em que a ITA está inserida, que é o segmento empresarial. Também é verdade que a pandemia trouxe outras oportunidades devido à necessidade de algumas organizações e empresas ficarem ligadas. Porém, entre ganhos e perdas, tivemos um impacto negativo. Tivemos aproximadamente 10% de perdas de receitas por efeito directo da pandemia. Os desafios não se cingem apenas ao negócio, mas também a operação das empresas. Apesar de os serviços das telecomunicações estarem no grupo de serviços essenciais, o confinamento também condicionou a circulação das equipas pelo país, a vinda de especialistas e a importação de equipamentos o que resultou em alguns problemas operacionais em alguns projectos.

Eram planos de contingência?

Sim. Fizemos planos de contingência e de continuidade do negócio. Tivemos de garantir na operação de empresas e distribuição de ‘stocks’. Por exemplo, tivemos de rever o portfolio de projectos nesta fase e renegociar contratos para acomodar a continuidade de serviços dos nossos clientes. É um momento desafiante e continua ainda a ser.

“Angola Cables taxa em dólares e nós, operadores, não podemos”

Diz-se que as empresas de tecnologias são as que mais lucram com a pandemia. No caso da ITA, é o contrário?

Se olharmos pelo contexto geral, talvez não tenhamos sido o sector com maior afectação negativa. Mas no geral houve. Temos contactado outras empresas do sector e houve redução de receitas. No caso da ITA, temos um segmento de mercado que é o empresarial e apesar de as empresas terem passado a fazer muito trabalho remoto, o negócio diminuiu. Na banca, o facto de ter muito pessoal a trabalhar remotamente tirou-nos grande parte de tráfego naquilo que é o ‘core’ da rede. É aí onde está o nosso negócio. Dei uma primeira estimativa de 10%, mas poderá chegar aos 12% de perda de receitas até ao final do ano.

Quais são os vossos planos daquilo que foi a estratégia inicial até ao final do ano?

A ITA tem uma estratégia muito clara. Estamos no mercado há 15 anos. Começamos com ‘internet service provider’ e hoje somos um operador de multi-serviços que nos permite fazer de tudo, com excepção da telefonia móvel. O grande salto da nossa empresa foi justamente em 2014, quando passámos ‘ISP’ para operador. Foi quando começámos a investir na rede nacional. O ‘ADN’ da ITA é de contínuo reinvestimento mesmo em situações não muito favoráveis do ponto de vista da economia. O alarme da crise foi dado em 2014 e foi justamente aí que começámos e continuamos a apostar. Isso levou a alguma experiência em lidar com situações adversas. E é isso que estamos a fazer. Ajustamos o nosso ‘portfolio’ de projectos. Este ano, gostaríamos de ter a cobertura do país inteiro em transmissão terrestre e ainda não a temos. Eventualmente, se não tivéssemos tido alguns condicionalismos da pandemia, estaríamos a completar a cobertura total em transmissão terrestre.

Não vamos conseguir, porque a pandemia trouxe atrasos na importação de equipamentos. O próprio sistema bancário também se tornou mais lento nos pagamentos para o exterior. Faremos mais uma província eventualmente este ano. Que poderá ser Kuando-Kubango. Mas as do Leste ficarão para o próximo ano.

Como é continuar a investir com uma economia em recessão, quando muitas empresas fecharam e continuam a fechar portas?

É um exercício de alguma arte. Mas acreditamos em Angola. Somos uma empresa de capital 100% privado. Os investimentos têm sido de constantes reinvestimentos. Adoptamos uma estratégia de contenção de custos, de investimentos assertivos. Temos conseguido investir com bastante eficiência e eficácia. Conseguimos fazer com pouco e atingir os nossos objectivos. Investimos, por exemplo, na expansão da nossa rede pelas províncias, em transmissão nacional tanto em micro-onda como em fibra óptica. Hoje, temos uma cobertura do país desde Massabi até ao Namibe, no interior, apenas com excepção do Leste. E isso fez com que hoje sejamos uma referência no mercado e até tivéssemos aberto outro segmento que é do transporte de tráfego de outros operadores. Isso tem feito suportar o nosso negócio num momento de bastante retracção da economia.

Quanto é que já foi investido até agora pela ITA principalmente na expansão da rede?

Grosso modo temos vindo a investir anualmente acima dos 15 milhões de dólares. O ano passado, investimos na construção de um data center que é seguramente o maior de Angola e um dos maiores da África Austral. Os nossos investimentos anuais oscilam entre os 15 e 20 milhões de dólares.

Como estão os planos de internacionalização?

Prestamos alguns serviços a alguns clientes fora do país por satélite. Mas também somos parte integrante de um grupo de telecomunicações em África que é a Paratus, parte integrante e fundadora deste grupo, que tem presença, além de Angola, na Namíbia, Zâmbia, Botsuana, África do Sul e Moçambique.


Fonte: Valor Económico

O CEO da Angola Cables, António Nunes concedeu uma entrevista à EXAME, onde revelou que a empresa que dirige está a estudar a possibilidade levar conexão até a Ásia.

De acordo com António Nunes, o continente africano e mais especificamente os países da região sul, como Angola e África do Sul, poderá se tornar em alguns anos uma espécie de ponte digital para o tráfego da internet entre os países da América do Sul e da Ásia, facilitando a conexão entre a China e o Brasil, por exemplo.

Nunes afirmou ainda na referida entrevista que, depois de conectar Angola à América do Sul, aos Estados Unidos e à Europa com uma rede de cabos submarinos, a empresa está em negociações para estender uma nova conexão de fibra óptica até a Ásia. Dessa forma, o tráfego que hoje segue uma rota pelos Estados Unidos ou pela Europa poderia ter um novo trajecto alternativo passando pela África.

“As ligações entre a América do Sul e a Ásia, usando a África como uma plataforma, e não a Europa ou os Estados Unidos, é algo que está nos planos e que pode vir a agregar muito valor com essa infraestrutura”, disse Nunes.

Falando sobre a importância das conexões de fibra óptica para a economia de Angola e de África, António Nunes referiu que, elas permitem que os países da região possam digitalizar os sectores da economia, como a agricultura, e tenham acesso a serviços online, como atendimentos médicos. Ainda sobre o futuro do continente africano, Nunes vê o continente como um novo polo de mão de obra para empresas de tecnologia, uma vez que tem uma população numerosa, com cerca de 1,3 bilhão de habitantes, e com uma grande quantidade de jovens, tendo referido que os próximos programadores do mundo poderão ser africanos.

Durante a entrevista, o CEO da Angola Cables, revelou que durante a pandemia do novo coronavírus, a rede da empresa passou por um teste inédito. O tráfego de dados na rede aumentou seis vezes no período entre dezembro de 2019 e junho de 2020, causado principalmente pelo crescimento na demanda por serviços de vídeo e de games.

A Angola Cables foi formada em 2009 em um consórcio de cinco operadoras de telefonia angolanas, que se mobilizaram para ampliar a infraestrutura de telecomunicações do país numa época que a economia crescia a taxas acima de 10% ao ano, impulsionada pelos altos preços do petróleo.

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