janeiro 24, 2021
Luís Catuzeco José

Luís Catuzeco José

Luis Catuzeco José é um entusiasta pela partilha de conhecimento e debates sobre temas relacionados com novas tecnologias e sociedade.

Imagine que está a fazer um exame e tem de responder à pergunta abaixo.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: «SIM» (Minha resposta imediata)

Sim, estamos cada vez mais inteligentes. Sinto a Humanidade cada vez mais capaz de grandes realizações e em diferentes áreas do saber. Vejo avanços na investigação científica, vejo a descobertas fantásticas na medicina, vejo modelos complexos de engenharia aplicados de forma user friendly, vejo pessoas digitalmente mais incluídas e empreendedoras.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: NIM (Minha resposta após ponderação)

Se calhar não estamos assim tão (mais) inteligentes. Apenas estamos rodeados de mais smart things e devices que dão a ilusão de estarmos mais superdotados. Afinal o quotidiano 4.0 nos abraça com diversos conceitos «smart»: 

  • Smart TV
  • Smart Watch
  • Smart phone
  • Smart Wearable technology
  • Smart City

No fundo, estamos cada vez mais amigos da inteligência artificial e nos beneficiamos do exponencial de eficiência e eficácia que A.I proporciona. Ou seja, o homem (a)parece como o mais inteligente, mas na verdade, subcontratou a tecnologia para fazer grande parte do trabalho em sua representação. Por exemplo, o uso do Auto Pilot na aviação comercial, o carro autónomo e soluções de robótica.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: Não (Minha resposta depois de muitas dúvidas existenciais)

Estudos dizem que a próxima geração de pessoas (a geração dos “nativos digitais”) vai ter um quoeficiente de inteligência mais baixo que a geração dos seus pais. Isto porque o seu cérebro e actividade intelectual não é treinada convenientemente.  Os especialistas dizem que (entre outros factores) os dispositivos digitais afectam o desenvolvimento neuronal das crianças. A excessiva exposição à telas (televisão, tablets, mobile etc) diminui a capacidade cognitiva, perda de concentração, redução da capacidade de memorização e menor interacção social. Tudo somado, afecta a capacitação de comunicação, gestão emocional e a maturação cerebral das crianças.   

Bom. Confesso que nesta altura do exame «Eu só sei que nada sei», e as dúvidas sobre a resposta certa se estamos mais inteligentes ou não se avolumaram. Todavia, tenho uma certeza na vida:  

  • Desde o momento em que passei a usar a calculadora eu desaprendi a tabuada...

 Assim, o problema não é a tecnologia «fazer» as coisas por nós, o problema é deixarmos de pensar. Tenho dito! 

 

 

Controlo parental

dezembro 29, 2020

Para todo o mundo e sobretudo para quem tem filhos ou dependentes menores a seu cuidado a gestão do acesso das crianças ao universo world wide web é um enorme desafio.

Diria até lidar com meninos e meninas do «grupo de risco», entenda-se os pré-adolescentes seja um challenge ainda maior.

Essa é a fase das descobertas, da curiosidade e do conflito geracional ao estilo de «Tom & Jerry», ou seja, «Pais vs filhos».

Na era do digital os velhos métodos de controlo já não são eficientes.

A geração de «miúdos» actual, os «nativos digitas» têm uma literacia tecnológica acima da média, muitas vezes superior aos adultos a quem «reportam funcionalmente».

Todos os dias surgem apps novas de comunicação e os conteúdos menos apropriados já não estão disponíveis apenas em sítios online, eles podem ser trocados, partilhados e consumidos em plataformas de comunicação perfeitamente legítimas de envio/recepção de dados.

Uma espécie de money laundering, mas de conteúdos!

Assim, aplicações de controlo parental para bloqueio de acessos, solicitação de permissão para determinados conteúdos, apenas mitigam, já não estancam a curiosidade. Para cada bloqueio existe um tutorial disponível online para contornar essa restrição.

Uma espécie de espionagem e contra-espionagem!

O paradigma mudou: Os pré-adolescentes do mundo de hoje já não estão mais na nossa zona de controlo, estão apenas na nossa zona de influência. Estamos condenados a orientar, aconselhar e a instruir mais vezes do que a proibir.

Proibir é um desafio, e todo o desafio é aliciante para quem pretende afirmar a sua personalidade.

Devemos, todavia, nos focar nos mais idosos. Uma geração que manuseia telemóveis com acesso à internet sem ter passado pela escola 4.0. Por serem adultos, por vezes negligenciamos a necessidade de controlo, mas este grupo de risco muitas vezes vive em isolamento social, mas está digitalmente ligado online o tempo todo. Assim, terá menor lucidez para contrariar ataques ou burlas cibernéticas.

A internet não trouxe apenas informação, também trouxe (des)informação, (sub)informação e (sobre)informação. Tudo isso confunde valores, paradigmas, conceitos e cria «novos normais» por vezes (dis)funcionais. Tenho dito!

«NINJA» QR CODE

dezembro 08, 2020

Todos nós, a cada dia somos impactados por siglas que derivam de muitos estrangeirismos relacionados com a tecnologia.

As siglas são mais fáceis de decorar, soam bem, e quando ditas em inglês dão sempre um ar mais «inteligente» a quem as pronuncia. Não se esqueça é de fazer bonito, quando alguém perguntar: Hey, o que é que isso significa afinal?

Vou começar por aquelas siglas que estão top of mind em qualquer networking 4.0, fazem capa de revista e abrem grandes fóruns TIC´s:

  • AI – Artificial intelligence (inteligência artificial)
  • AR – Augmented reality (realidade aumentada)
  • IOT – Internet of things (Internet das Coisas)
  • VR – Virtual reality (realidade virtual)

Agora vou introduzir uma sigla que não dá tanto nas vistas, mas que, muito provavelmente está mais presente na sua vida do que qualquer outra trend dos tempos modernos:

  • QR Code – Quick Response Code (código de resposta rápida)

Nada mais nada menos, do que a evolução do código de barras tradicional (usado para a identificação de produtos).  O QR code, é agora bidimensional e pode ser lido pelas câmaras de qualquer smartphone com ou sem recurso de apps adicionais. Podia dizer que o QR Code permite hiperligação para endereços web, localização georreferência ou informações de contacto, mas na verdade, o QR Code abre um mundo novo de possibilidades e interações entre pessoas e coisas.

O QR Code pode ser usado pelo Marketing de Conteúdo, Logística, Museus, Grande Consumo, Gestão de acessos, Segurança, Eventos, Check in/ Check out, Meios de Pagamento, you name it… pois o limite é tão somente a sua criatividade.

O sucesso do QR code tem quanto a mim o seu «caboco» em 3 coisas fundamentais:

  • Simplicidade: É grátis e fácil de gerar.
  • Mobile: 91% dos utilizadores de internet usam o smartphone pelo menos uma vez ao dia para navegar - date reportal source -
  • Uso universal: Qualquer sector, qualquer idade, qualquer classe social pode usar.

Algo tão eficaz como eficiente só poderia ter sido criado pelo Japão. Povo reconhecido pela tremenda capacidade de realização e elevada discrição, tipo Ninja!

Hoje aprendemos que nem sempre as pedras preciosas que brilham mais, são na verdade, as mais valiosas. Tenho dito! 

Geração Alpha

novembro 24, 2020

A forma mais perspicaz de captar a sua atenção é fazer-lhe uma pergunta indiscreta: Qual é a sua geração?

No fundo, esta é apenas uma forma subtil de lhe perguntar a idade… quanto a resposta, os pensadores sociais já propõem uma classificação, veja em que geração se encaixa de acordo ao seu ano de nascimento.

  • Geração baby boomers | 1945-64 |Hoje entre 56 e 75 anos de idade
  • Geração X | 1965 -81 |Hoje entre 39 e 55 anos de idade
  • Geração Millennial | 1982-94 | Hoje entre os 26 e 38 anos de idade
  • Geração Z | 1995-09 | Hoje entre os 11 e os 25 anos de idade
  • Geração Alpha | 2010 | Hoje entre 0 e os 10 anos de idade

 

Os Millennial e a geração Z são o grupo populacional predominante de acordo com dados estatísticos. Eles partilham também mais afinidades entre si, sobretudo na passagem de testemunho quanto a sua relação com a tecnologia.

Enquanto os Millennial foram os «nativos» da tecnologia (early adopters), vivenciaram a migração do mecânico para o digital,  já a geração Z nasceu com o ADN 4.0 no corpo.

A cassete, disquete, VCR podem ser termos que a «nova vaga» de pessoas tenha de ir pesquisar no dicionário www.

A geração Z é «always on», casada com os smartphones, tablets, das redes socias, a  geração do «faço tudo pela net», tendências que, diga-se de passagem, já contagiou também as gerações que lhe antecederam. A geração Z é um público de consumo e de comunicação poderoso para o emergente ecossistema do empreendedorismo tech e dá corpo ao conceito da monetização $ (Marca, Conteúdos, Imagem) pelos canais digitais como as novas profissões XPTO.

Curioso que dentro do meu grupo geracional, os Millennial passei por uma realidade (Europa) em que os jovens só comunicavam por SMS, diria então que nesse contexto os jovens gostavam do filme de suspense que era enviar uma comunicação sem ter certeza de resposta.

Depois, passei por uma realidade (África) em que os jovens só comunicavam por «voz», aqui diria então que os jovens gostavam de filme de acção, pois a vida era urgente e o feedback tinha de ser instantâneo.

Actualmente tudo está mais híbrido, agora em qualquer realidade geográfica os jovens comunicam por «dados» (audiovisual)m diria então que todos os filmes são bons, bastam ser «live».

Enfim, com tudo o que já vejo acontecer acho que a passagem de testemunho para a geração do futuro, a geração Alpha vai ser verdadeiramente entusiasmante. Faz-me lembrar as sagas da Marvel, em que quando acaba o filme, caem as letras, eles sempre nos surpreendem com um teaser dos próximos capítulos. É que «Alpha» significa “dominante” e “líder”, ou seja, os “candengues” já estão a vir com a Word Wide Web como o nome do seu grupo sanguíneo.

Se virem meninos de até 10 anos de idade, peçam-lhe um autógrafo, pois está ali o líder do mundo digital de depois-de-amanhã. Tenho dito!

 

Sendo formado na área de Humanidades, sempre tive como maior desafio entender as matemáticas da vida. Sobretudo, a filosófica frase da matemática que dizia que: “menos com menos dá mais”, ou seja, (-) x (-) = (+).

Complicado?

Simplificando, basicamente significa que “Tamanho não é documento”. Em muitos sectores de actividade e para o utilizador de tecnologias de informação a tendência da miniaturização é observável.

Em 1956, um hard disk de 5MB pesava mais do que 1 tonelada. Hoje um micro SD card pode armazenar 1 Terabyte e ser mais leve que uma pena.  

As versões “mini” de diversos produtos T.I começam a proliferar tal como os desenvolvimentos e inovações da indústria da microeletrónica.

Acontece que antes, nós apenas precisávamos da tecnologia. Hoje, além de precisarmos de tecnologia, precisamos que a tecnologia ande connosco o tempo todo.

Para a tecnologia passar a ser a nossa “sombra” ela tem de ser leve, estética, funcional, de grande performance e acima de tudo portátil, tem de ser uma tecnologia que se adapta ao nosso constante movimento.

Descomplicando na equação matemática e complicando um pouco no Português de Camões, podemos dizer que:

  • A tecnologia less is more vai ao encontro do consumidor 4.0 que procura soluções menos invasivas e de encontro a era dos dinossauros em que Big was always better (quanto maior melhor).

Todavia, as inovações são tão rápidas, que neste exacto momento discutir “size” (tamanho) de hardware ou recursos já é conversa de leigos. Actualmente, tudo aquilo que procuramos (infraestrutura, softwares, plataformas) está a migrar para a “nuvem” e conteúdos e serviços web-based.

Cheguei a conclusão que o Homem errou estrategicamente em começar a ocupar terreno na lua. Devíamos sim, nos preocupar em arranjar um lote na cloud, pois é para lá que caminham todas as coisas boas do digital. Tenho dito!

Remote work

outubro 01, 2020

Estive recentemente numa reunião que poderia definir o momento 4.0 que vivemos actualmente. Recebi o convite via Linkedin, por alguém que não fazia parte da minha rede nem tinha comigo nenhum contacto em comum. Não foi preciso ter estado fisicamente e no passado com o «John» (nome fictício) ou ter trocado cartão de visita com ele, para ele me encontrar online e solicitar um catch-up, conversa sobre negócios.

Todos os passos do networking da era digital foram cumpridos:

  • Convite Linkedin aceite
  • Mensagem com a apresentação da empresa do John
  • Pedido de reunião aceite

Na reunião não pude deixar de notar que nos interlocutores da empresa do John havia muita multiculturalidade (pessoas de várias origens), diversidade de idade (quadros juniores e seniores), deslocalização (colaboradores falavam a partir de múltiplos países do mundo), em resumo: globalização + digitalização.

A conversa de “quebra gelo”, foi naturalmente os efeitos do Covid-19, e logo chegamos ao denominador comum da necessidade de se trabalhar de forma remota face ao modelo antigo. Tudo isso me fez reflectir sobre a definição de «ir trabalhar».

Já repararam que o significado de «ir trabalhar» mudou? Antigamente, ir trabalhar significava:   

  1. Acordar cedo
  2. Sair de casa
  3. Cumprir um horário de trabalho
  4. Regressar à casa e “deixar o trabalho no escritório”

Actualmente, nenhum dos pontos acima corresponde fielmente a verdade.

  1. Já não precisamos acordar tão cedo como antigamente
  2. Já não precisamos sair de casa
  3. O horário de trabalho = a disponibilidade e conectividade para se trabalhar
  4. A tua casa é teu novo escritório 

O local de trabalho como tal está em desuso. Progressivamente, vamos eliminando as expressões «Foste trabalhar hoje?» ou o «Onde trabalhas?» 

Ou seja, «ir trabalhar» agora significa somente «estar a trabalhar». Já não existe movimento de ida/regresso do trabalho. O senão, é que em homeoffice, dormimos todos os dias no trabalho e quando acordamos já estamos potencialmente em horário de trabalho. 

Parece uma fatalidade?

Na verdade, existe uma opção mais zen do trabalho-fora-do-trabalho. O #Remote work é o trabalho verdadeiramente 4.0, aquele em que você trabalha anywhere (em qualquer lugar a sua escolha) e o teu escritório é apenas o dispositivo que te conecta à internet. 

Trabalhar em remote work é outro nível, mas para chegar lá, é necessário fazer “xeque-mate” ao mindset tradicional.

Se publicarmos (redes sociais) uma fotografia na praia e se alguém fazer o mesmo comentário do polícia-fronteira do aeroporto: Estás em business ou lazer?  Significa que ganhamos o jogo de xadrez. Tenho dito!

 

 

Num dia como este, imagine que estava a participar num webinar e ficou sem energia eléctrica, ficando consequentemente sem conectividade (serviço de internet cabo/wi-fi).

Imagine agora que não tem um «plano B» para energia eléctrica, ou seja, não tem um gerador para continuar vivo na live e tenha de se socorrer dos dados mobile. Já lhe aconteceu?

A «internet» aparece aqui como o big brother. Não no conceito psicossocial de uma espécie de entidade abstracta que tem acesso a tudo o que fazemos, que recolhe todos os nossos dados e sabe exactamente quando e onde estamos localizados.

Mas sim, no contexto literal da tradução de big brother, ou seja, como «o irmão mais velho» que vem resolver o problema criado pelo irmão mais novo «energia elétrica», e com a sua astúcia vir restabelecer a ligação ao dito webinar.

Numa metáfora hilariante, imaginei uma família tradicional composta por 3 irmãos: o «pão», a «luz» e a «água» todos eles exercendo actividades tremendamente importantes para a nossa subsistência, representando categorias de necessidades vitais sem as quais não poderemos sobreviver. Depois imaginei o quarto irmão, a «internet», aquele irmão divergente que existe em todas as famílias, que optou por estudar no estrangeiro, optou por estudar áreas de conhecimento abstractas, e voltou para casa cheio de ideias inovadoras depois daquilo que viu pelo mundo. A internet não se vê, não se come, não se sente, mas a sua manifestação trouxe coisas fantásticas.

Se me perguntarem o que é a internet, eu diria que é “a internet é um sistema global de redes de computadores interligadas que utilizam um conjunto próprio de protocolos (Internet Protocol Suite ou TCP/IP) com o propósito de servir utilizadores no mundo inteiro. É uma rede de redes, que interliga globalmente milhões de entidades, e que está ligada por uma ampla variedade de tecnologias de rede electrónica, sem fio e óptica.”

Entendeu? (Se sim óptimo) mas, provavelmente não. Como eu e muitos mais.

Para mim é sempre mais fácil entender o que é a internet, não por aquilo que efectivamente é, mas por aquilo que a www. proporciona.

Internet é tipo um passaporte com visto de entrada para todos os países do mundo que te permite viajar para qualquer lugar. Internet é tipo uma biblioteca onde podes obter conhecimento à distância de um click. Internet é tipo um portal teletransporte que te permite encomendar coisas do outro do lado mundo e recebê-las “em casa” sem esforços de mobilidade. Internet é tipo um ponto de encontro onde podes (re)encontrar amigos, fazer trabalho colaborativo ou criar o teu avatar e sociabilizar no digital. Internet é tipo uma caixa-forte que não ocupa espaço físico onde podes guardar os teus documentos, gerir e-money e o teu repositório de memórias (fotografias, vídeos, etc). Internet é tipo o combustível dos tempos modernos, que faz com que tudo o que é tradicional possa ser mais eficiente, e tudo o que é inovador possa se tornar obsoleto no dia seguinte ao go-live.

Resumindo e concluindo, no contexto africano de famílias alargadas, além de «pão», «luz» e «água» queremos também mais… «internet». Tenho dito!

A pandemia que assola o mundo, teve um efeito cascata afectando diversas dimensões socio-económicas, além da saúde.

Sem desfavor da seriedade que o tema merece e com o máximo respeito pelas vítimas e o contexto do «novo normal», vamos, no entanto, ficcionar um pouco sobre a relação entre a Covid-19 e a forma como redesenhou o «Trabalho».

Antes da pandemia, eu tinha 3 certezas na vida:

1. O Homem nasce.

2. O Homem perece.

3. E que o dia tinha 24H.

Hoje e durante uma pandemia, comai a ter dúvidas sobre o ponto 3. Em termos absolutos o dia continua a ter 24H mas, em termos relativos sentimos que como 24H de hoje se tornou psicologicamente mais longo.

Antigamente, as 24H eram compostas por: 8H de sono + 8H de trabalho + 8H para cada um realizar as suas necessidades da pirâmide de Maslow.

Actualmente, a ordem natural das coisas parece ter sido interrompida. Imaginando uma bolsa de valores por exemplo, diria que as «horas de sono» e «horas de realização pessoal» perderam bastante comuns ao contrário das «horas de trabalho» que têm uma espécie de «jackpot» neste «novo normal».  

Enfim, o «novo normal» de trabalho acabou por alterar a verdade absoluta sobre o dia ter 24H ao redefinir a gestão de tempo que fazemos nesse período.  

Puxando pela imaginação e se pudéssemos brincar um pouco com coisas sérias, diria que o Covid-19 é uma espécie de «Patrão mau»:

  • Nos faz trabalhar mais horas por dia e pelo mesmo salário.
  • Nos retira subsídios (transporte) porque já «não vamos» ao trabalho porque literalmente «vivemos» no trabalho. 
  • Já não nos controla com o tradicional livro de ponto porque o novo biométrico é o sinal «online» das plataformas de colaboração.
  • A nossa presença já não é medida com o «olhómetro», mas com «prova de vida» por exemplo, emails trocados, presença em reuniões, relatórios de status de tarefas com mais hiper-produtividade.
  • Nos «dissuade» de sair à rua fazer manifestações sobre direitos laborais devido ao necessário «distanciamento social».    
  • Já não nos deixa negociar super-contratos de trabalho e solicitar por exemplo: viatura de serviço, casa ou subsídio de deslocalização, porque agora o trabalho é descentralizado: anywhere, everywhere; all the time.   

Por fim, depois de reflectir ainda mais, cheguei a conclusão que afinal este Patrão não é mau, o problema são as «más companhias». Desde que o Patrão conheceu a «Internet», aquela rede de redes que permite estarmos conectados a escala global e possibilidades de interacção, tudo ficou assim. E parece que essa amizade veio para ficar. Tenho dito.

 

Actualmente, ao rever o filme Robocop não posso deixar de assinalar uma visão extraordinária dos produtores, lá na década de 80 a abordarem temas tão emergentes como a robótica e inteligência artificial.

Os Robots (máquinas desenhadas para executar uma ou várias tarefas de forma automática e com alta precisão) já não estão apenas nos filmes. Eles estão entre nós! Já não estão apenas confinados às empresas e cada vez mais no setor de serviços e o nosso quotidiano. Enfim, nós não os vemos, mas eles andam incorporados em interfaces, softwares e no backoffice de muitas actividades empresariais.

Não acredita?

  • A DE-CIX o maior Internet Exchange Point do mundo usa «patch robots» no seu Data Center para activações e upgrade de portas de servidores.
  • Farmacêuticas usam robots para localizar medicamentos na zona de stock e transportar até ao front office de atendimento
  • Em muitos sítios online o primeiro nível de atendimento é através de um «bot»
  • Robots controlados remotamente são usados no gaming

De uma forma simplista, existem 3 grupos de robots:

  • Robots com instruções pré-programadas
  • Robots comandados remotamente por humanos
  • Smart robots I Humanoides

Os dois primeiros são «soldados disciplinados» (repetem tarefas e instruções). O último é o «alfa» da sua espécie pois incorpora inteligência artificial e computador interno próprio. A par do filme Robocop existem muitas produções que exploram genericamente 3 grandes fobias do Homem em relação as máquinas:

  • Os robots vão substituir o homem no local de trabalho. Legítimo, se consideramos o nível de eficiência das máquinas, sobretudo para tarefas repetitivas e manuais. 
  • Os robots vão roubar o poder de decisão ao homem. Legítimo, se considerarmos que a velocidade de raciocínio (inteligência) e a capacidade de recolha, armazenamento e tratamento de dados (conhecimento) do robot é superior à do homem.
  • Os robots vão extinguir a humanidade. Não realista. Embora a cinematografia já explore essa narrativa há anos e o tempo tem mostrado que a ficção científica é cada vez menos só “ficção”, e as novas possibilidades IOT se fundamentam de facto na comunicação máquina-máquina, sendo que, haverá aplicações militares nos domínios da robótica, isto num mundo cada vez mais conectado 360º.

Dito isto, se temos tanta fobia dos robôs, e do dia do juízo final das «máquinas» afinal porque gostamos tanto do Robocop - que até tem licença de porte de arma -?

Depois de refletir cheguei a conclusão de que o Robocop foi «humanizado». Vejamos, deram-lhe um nome como o nosso «Murphy», deram-lhe um rosto como o nosso, deram-lhe uma causa (justiça), deram-lhe memória, deram-lhe uma personalidade. No fundo o Robocop não era mais uma máquina, era sim o super-homem dos tempos modernos carregados do Big Data + Analytics + Inteligência artificial. Um «meta-homem» (fusão do homem + máquina) com o homem no domínio.

Para mim o filme Robocop é uma metáfora perfeita do poder que o homem vê na tecnologia e ao mesmo tempo da fobia que o homem tem de (não) manter o controle sobre a sua própria disrupção. Tenho dito.

Tenho ideia de que a maioria das actividades administrativas estão “casadas” com o papel.

Recentemente estive numa unidade hospitalar de referência em Luanda e o processo de triagem (controlo epidemiológico Covid-19) se traduzia numa curta entrevista  (nome, morada, telefone, contactos com grupos de risco, etc.) sendo as respostas anotadas em papel. Duas semanas depois, de regresso ao mesmo local, ao mesmo utente são feitas exactamente as mesmas perguntas.

A iniciativa é boa, mas o processo é manual, repetitivo e pouco inteligente na lógica de tratamento de dados.

Comecei a reflectir sobre os argumentos da tecnologia, e creio que existe a falsa ideia de que a tecnologia serve apenas processos super-complexos da indústria, e-business, espaciais, computação ou outros. Na verdade, o grande impacto da digitalização é nos processos do dia-a-dia.

“Tecnologia é aquele «je ne sais quoi» capaz de simplificar e tornar os processos mais eficientes”.    

  • Substituir o papel por uma folha de Excel já é tecnologia.
  • Colocar um balcão eletrónico self-service para a triagem já é tecnologia.
  • Desafiar jovens desenvolvedores angolanos ou universidades a criar uma app para gestão de triagens clínicas e hospitalares já é  tecnologia.

Substituir o papel por tecnologia na triagem permite:Constituir base de dados, relatórios e estatísticas
   
        • Constituir base de dados, relatórios e estatísticas
        • Segurança da informação
        • Histórico e tratamento inteligente de dados
        • Eliminação de retrabalho

Parece-me claro que o melhor casamento para a saúde, não é com o papel, mas sim com a tecnologia, mesmo que seja um casamento por interesse. Tenho dito.

 

 

 

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