janeiro 24, 2021
Marco Romero

Marco Romero

Eng.º de Sistemas Espaciais - ISAE SUPAERO | Especialista de Navegação e Balística - GGPEN | Eng.º Aeronáutico - FAN

A demanda e os problemas que fazem com que a agricultura em Angola não seja sustentável, aliada a experiência de mais de 6 anos a desenvolver e a integrar tecnologia aeroespacial para resolução de problemas diários, fizeram com que escrevesse este pequeno artigo para apresentar um solução que junta o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), Sensoriamento Remoto (SR), Sensores e Actuadores de Sistemas da Internet das Coisas (IoT) bem como as Infraestruturas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) para melhorar a cadeia de produção, escoamento e consumo de bens e produtos agrícolas.

Esta não é a única e nem a mais completa das soluções para resolver todos os problemas do sector agrícola. O foco deste artigo é apresentar apenas uma das inúmeras soluções com as quais Angola já pode contar, sendo que os demais vou partilhar em publicações futuras. A primeira das motivações desse artigo é demonstrar que existem oportunidades. Os problemas e soluções estão devidamente identificados e existe potencial humano e técnico pare resolvê-los.

Repare nos seguintes factores:

Existem em Angola, várias empresas a usarem imagens e outros dados aeroespaciais de satélites para resolver inúmeros problemas na terra, que somente com a visão privilegiada dos céus conseguimos resolver. O destaque aqui vais para as Start-ups Humbitec e All4Innovation que incansavelmente têm apresentado soluções práticas e efectivas, como o sistema integrado de informação e gestão geográfica, uma plataforma que envolve produtores, distribuidores e retalhistas para optimização de colheitas, distribuição, regulamentação de preços e aumento da segurança alimentar.

A nível governamental essa plataforma auxilia na criação e organização de equipas de apoio aos produtores, para garantir a qualidade das colheitas bem como efectuar a certificação de produção com medições das qualidades do ar, água, solo e produtos; e apoia a criação de associações de agricultores para produções uniformes e optimizadas aos tipos de solos.

Muito se tem dito sobre o uso de satélites na agricultura, no entanto as abordagens têm um pendor teórico e generalista, que acaba por não dar esperanças sobre o quão exequível ou real é este tipo de solução. Mais uma vez, a melhor maneira de dirimir essas questões passa por olharmos para a realidade local e trazer soluções de uso dos satélites em Angola nos seguintes níveis:

1. Produtores:

a) Disponibilizar meios de informação de melhor tipo de cultura, previsão de colheita e quais produtos, informação meteorológica, alarmistas e controlo de pragas;

b) Descrever a produção e métodos utilizados para certificação de qualidade dos mesmos.

2. Distribuidores:

a) Disponibilizar uma base de dados de produção, estimativa de colheita, data, quantidade e localização;

b) Criação de meios de recolha de colheitas com mais qualidade, garantindo os melhores produtos para os consumidores finais.

3. Retalhistas:

a) Possibilidade de efectuar encomendas nos centros de distribuição, capacidade de saber a origem dos produtos por lotes e respectivos métodos de produção, e toda a informação associada.

A garantia e exequibilidade dessa solução acenta em três (3) pilares fundamentais vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS):

  • ODS 2/12/13 - Já que a solução apresentada vai optimizar as redes logísticas de produção e distribuição de produtos agrícolas, ou seja, conectar produtores, desenvolvedores e consumidores por meio de informações e tecnologias precisas.
  • ODS 9 - Os resultados obtidos servem para reforçar as Políticas Locais e Regionais de Produção Agrícola, circulação de informação, construção e partilha de infra-estruturas partindo do piloto em Angola, Zimbabwe, Cabo Verde e posteriormente expandindo para África.
  • ODS 4/8 - A plataforma inclui um módulo de pesquisa e desenvolvimento e treinamento - com gerenciamento de projectos, simulação e ferramentas de experiência para que estudantes e pesquisadores possam fazer seus estudos de caso / estágios, desenvolvendo soluções para problemas práticos, usando processos e recursos "em situs" apropriado à sua realidade.

Estima-se que até 2050 a população mundial chegará a 9 bilhões e, com esses dados, surgem problemas relacionados à capacidade do ser humano se manter em um meio ambiente sem causar tantos impactos. Atenção que são 9 biliões de pessoas para alimentar. Portanto mais do que uma leitura passiva de constatação de números e conceitos gostaria que esse artigo servisse de canal de comunicação para quem estiver com vontade de apoiar para tornar o uso de satélites uma realidade para melhorar a condição de vida humana.

No final do ano 2020, jovens angolanos juntaram-se para a celebração interna do GIS Day 2020 e criaram o concurso nacional de soluções para o uso de dados geoespaciais para melhoria da condição de vida e desenvolvimento sustentável em Angola e no Zimbabwe.

Os SIGs são uma estrutura científica para reunir, analisar e visualizar dados geográficos para ajudar a tomar melhores decisões. No “GIS Day”, foi lançado um concurso de criação de soluções que ajudem outras pessoas a aprender sobre geografia e as aplicações SIG no seu dia-a-dia.
Mesmo que a celebração pareça um pouco diferente nesta edição, compartilhar o SIG é mais importante do que nunca.

A Humbitec, All4Innovation, SEEDS Zimbabwe e SEEDS Angola começaram a celebrar o GIS Day na quarta-feira, 18 de novembro de 2020. Embora as circunstâncias globais exijam que o GIS Day seja praticamente virtual, as aplicações inovadoras da tecnologia de SIG começaram a ser recolhidas e serão avaliadas por um júri internacional que ajudará os participantes a perceberem o potencial das suas ideias, dos dados geoespaciais, e liderança inovadora na área de Ciência e Tecnologia Espacial.

Durante este tempo, equipas ou participantes singulares enviarão um pitch (vídeo, cartaz e proposta escrita), que aborda um desafio social usando mapeamento SIG e sensoriamento remoto para o desenvolvimento sustentável. Os participantes também contam com suporte especializado e formação para a implementação real dos seus projectos. Os vencedores serão seleccionados para estágios, bem como um grande prêmio (incluindo valores monetários, recursos e treinamento SIG exclusivos).

Das 12 inscrições já feitas em Angola, 4 participantes já apresentaram as suas soluções para aplicação de dados Espaciais e Sistemas de Informação Geográfica na gestão de resíduos sólidos, controlo dos mangais e sua biodiversidade e na melhoria da produtividade agrícola e gestão aeroportuária.

Para mais informações, visite gisday.com, enquanto que, para inscrever-se ao concurso, os interessados deverão acessar clicando aqui para Angola, e aqui para Zimbabwe.

Fundado por Jack Dangermond, que imaginou pessoas a colaborarem e partilharem as suas ideias de como o GIS afecta a vida humana, o GIS Day é um evento global que mostra como a geografia e as aplicações práticas do SIG estão a fazer a diferença nos negócios, governos e nas sociedades. Esta é uma oportunidade para as comunidades espaciais dos dois paises compartilharem os seus trabalhos e inspirarem outras pessoas a descobrir e usar os Sistemas de Informação Geográfica (SIG).

Sobre a Humbitec Ltd

Humbitec Ltd é uma startup com sede em Luanda, que usa tecnologias e dados geoespaciais para apoiar os objectivos de desenvolvimento sustentável. Fundada em 2017, a empresa tem como foco o uso de aplicações espaciais não só para o desenvolvimento económico, mas também social.

Na semana passada, o jovem angolano Eldrige de Melo, especialista em negócios no sector espacial e também em Telecomunicações e Gestão de Projectos Aeroespaciais, teve a honra de aparecer nos murais de celebração dos grandes feitos dos alunos mais destacados da Universidade especial internacional.

Durante o ano de 2020, Eldrige de Melo destacou-se pela sua enorme contribuição e inúmeras representações de Angola no sector espacial, mudando vidas usando os seus conhecimentos e contribuições. Foi o primeiro angolano a participar no Programa de Pós-Graduação em comercialização do sector espacial, fruto de uma parceria entre a Universidade Espacial Internacional e a Florida Tech.

Sendo o único programa de certificação de nível de pós-graduação nos EUA, este ano foi desenvolvido no formato online devido a pandemia da COVID-19. O percurso de Eldrige de Melo no sector espacial que começa com o seu enorme contributo para o crescimento do programa espacial angolano, tendo se destacado a nível das Telecomunicações Espaciais, Gestão de Projectos e Operações Espaciais em Angola, e mais recentemente o seu contributo para a criação do ecossistema Espacial Angolano, passam a contar com o reforço das competências em política espacial comercial, mercados, tecnologia e empreendedorismo adquiridos durante essa pós-graduação.

Neste momento, Eldrige de Melo é gestor dos principais projectos europeus sob responsabilidade da ICEYE, a líder no sector espacial em Radares Espaciais de Abertura Sintética. Representa Angola como ponto de contacto para o Conselho Consultivo da Juventude Espacial de apoio ao programa espacial das Nações Unidas.

Com sede em Illkirch-Graffenstaden - Estrasburgo, França, a Universidade Espacial Internacional (ISU) é uma instituição dedicada a afiliações internacionais, colaboração e actividades acadêmicas abertas relacionadas à exploração e desenvolvimento do espaço sideral, foi fundada em 1987 garantindo a formação de excelência nos cursos de Mestrado em Estudos da Ciência Espacial, Mestrado em Administração da Ciência Espacial, e Mestrado Executivo em Administração de Negócios Espaciais.

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