janeiro 25, 2021

A demanda e os problemas que fazem com que a agricultura em Angola não seja sustentável, aliada a experiência de mais de 6 anos a desenvolver e a integrar tecnologia aeroespacial para resolução de problemas diários, fizeram com que escrevesse este pequeno artigo para apresentar um solução que junta o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), Sensoriamento Remoto (SR), Sensores e Actuadores de Sistemas da Internet das Coisas (IoT) bem como as Infraestruturas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) para melhorar a cadeia de produção, escoamento e consumo de bens e produtos agrícolas.

Esta não é a única e nem a mais completa das soluções para resolver todos os problemas do sector agrícola. O foco deste artigo é apresentar apenas uma das inúmeras soluções com as quais Angola já pode contar, sendo que os demais vou partilhar em publicações futuras. A primeira das motivações desse artigo é demonstrar que existem oportunidades. Os problemas e soluções estão devidamente identificados e existe potencial humano e técnico pare resolvê-los.

Repare nos seguintes factores:

Existem em Angola, várias empresas a usarem imagens e outros dados aeroespaciais de satélites para resolver inúmeros problemas na terra, que somente com a visão privilegiada dos céus conseguimos resolver. O destaque aqui vais para as Start-ups Humbitec e All4Innovation que incansavelmente têm apresentado soluções práticas e efectivas, como o sistema integrado de informação e gestão geográfica, uma plataforma que envolve produtores, distribuidores e retalhistas para optimização de colheitas, distribuição, regulamentação de preços e aumento da segurança alimentar.

A nível governamental essa plataforma auxilia na criação e organização de equipas de apoio aos produtores, para garantir a qualidade das colheitas bem como efectuar a certificação de produção com medições das qualidades do ar, água, solo e produtos; e apoia a criação de associações de agricultores para produções uniformes e optimizadas aos tipos de solos.

Muito se tem dito sobre o uso de satélites na agricultura, no entanto as abordagens têm um pendor teórico e generalista, que acaba por não dar esperanças sobre o quão exequível ou real é este tipo de solução. Mais uma vez, a melhor maneira de dirimir essas questões passa por olharmos para a realidade local e trazer soluções de uso dos satélites em Angola nos seguintes níveis:

1. Produtores:

a) Disponibilizar meios de informação de melhor tipo de cultura, previsão de colheita e quais produtos, informação meteorológica, alarmistas e controlo de pragas;

b) Descrever a produção e métodos utilizados para certificação de qualidade dos mesmos.

2. Distribuidores:

a) Disponibilizar uma base de dados de produção, estimativa de colheita, data, quantidade e localização;

b) Criação de meios de recolha de colheitas com mais qualidade, garantindo os melhores produtos para os consumidores finais.

3. Retalhistas:

a) Possibilidade de efectuar encomendas nos centros de distribuição, capacidade de saber a origem dos produtos por lotes e respectivos métodos de produção, e toda a informação associada.

A garantia e exequibilidade dessa solução acenta em três (3) pilares fundamentais vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS):

  • ODS 2/12/13 - Já que a solução apresentada vai optimizar as redes logísticas de produção e distribuição de produtos agrícolas, ou seja, conectar produtores, desenvolvedores e consumidores por meio de informações e tecnologias precisas.
  • ODS 9 - Os resultados obtidos servem para reforçar as Políticas Locais e Regionais de Produção Agrícola, circulação de informação, construção e partilha de infra-estruturas partindo do piloto em Angola, Zimbabwe, Cabo Verde e posteriormente expandindo para África.
  • ODS 4/8 - A plataforma inclui um módulo de pesquisa e desenvolvimento e treinamento - com gerenciamento de projectos, simulação e ferramentas de experiência para que estudantes e pesquisadores possam fazer seus estudos de caso / estágios, desenvolvendo soluções para problemas práticos, usando processos e recursos "em situs" apropriado à sua realidade.

Estima-se que até 2050 a população mundial chegará a 9 bilhões e, com esses dados, surgem problemas relacionados à capacidade do ser humano se manter em um meio ambiente sem causar tantos impactos. Atenção que são 9 biliões de pessoas para alimentar. Portanto mais do que uma leitura passiva de constatação de números e conceitos gostaria que esse artigo servisse de canal de comunicação para quem estiver com vontade de apoiar para tornar o uso de satélites uma realidade para melhorar a condição de vida humana.

Nos fim de 2020 e início de 2021, uma cientista natural do Uganda tem se destacado naquilo que é um dos objectivos da NASA. Catherine Nakalembe, está a usar satélites para a recolha de imagens de maneira a informar um local exacto para o cultivo ou se as fazendas estão a prosperar, o que ajudou muito os agricultores de Karamoja, uma região semi-árida daquele país.

Professora assistente do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade de Maryland, nos EUA, após conquistar o Africa Food Prize (Prêmio Alimentos da África) em Setembro de 2020, a pesquisadora ao serviço da NASA trabalha no uso de dados de satélite para estudar a agricultura e os padrões climáticos em busca de informações colectadas no local por pesquisadores ou enviadas pelos próprios agricultores.

Segundo a BBC, responsável pela entrevista, Catherine distingue quais os tipos de cultura e cria um mapa que mostra se as fazendas estão a prosperar, em comparação com a mesma cultura em outros lugares da região.

Países como EUA, já usam o modelo de informações na tomada de decisão sobre quando irrigar ou quantos fertilizantes devem ser usados.

As primeiras pesquisas permitiram que 84 mil pessoas em Karamoja, no Uganda, evitassem os piores efeitos de um clima altamente variável e da falta de chuvas.
Com imagens de alta resolução em seu trabalho pioneiro na diversificação da agricultira e ajuda aos governos a tomarem as melhores decisões, Catherine defende que precisa trabalhar mais para aprimorar os dados.

Também a liderar a secção africana do programa de alimentação e agricultura da NASA, a cientista abraça a causa de orientar jovens mulheres negras e encorajá-las a entrar nas ciências ambientais.

Uma empresa florestal japonesa em parceria com a Universidade de Kyoto daquele país, desenvolveram um satélite de madeira capaz de eliminar o lixo espacial na atmosfera, um problema prejudicial às estações espaciais que orbitam a terra.

Apontado como o primeiro satélite do estilo, o seu lançamento está previsto para o ano de 2023, com o experimento de diferentes tipos de madeira em ambientes extremos da Terra.

Denominada por Sumitomo Forestry, a empresa defende que o lixo espacial é um facto preocupante a medida que os satélites são lançados na atmosfera e como melhoria, concluiu que um exemplar de madeira queimaria sem deixar detritos no solo quando voltassem para a Terra. Uma vez que os satélites normais após o prazo de operação, queimam e criam minúsculas partículas de alumina (óxido de alumínio) que depois flutuam na atmosfera superior por muitos anos, afectando o meio ambiente do planeta.

O astronauta japonês Takao Doi, também professor da Universidade de Kyoto, é um dos mentores do projecto, cuja próxima etapa é desenvolver o modelo de engenharia do satélite e depois fabricar o modelo de voo. Mas antes de abraçar este passo importante, o astronauta fez parte da missão incorporada na Estação Espacial Internacional em 2008, onde tornou-se na primeira pessoa a lançar um bumerangue no espaço, projectado especificamente para o uso em microgravidade.

A madeira usada para o satélite é um segredo de P&D (pesquisa e desenvolvimento), olhando na corrida da investigação de diferentes opções para remover e reduzir o lixo espacial. Realçando que a empresa de pesquisa Euroconsult, estima que 990 satélites serão lançados todos os anos na década de 2020, o que significa que, até 2028, provavelmente haverá 15 mil satélites em órbita.

O lixo espacial viaja a uma velocidade incrivelmente rápida, a rondar os 35,8 mil km/h, e pode causar danos consideráveis ​​a qualquer objecto a atingir.

 

Fonte: BBC/G1

Na semana passada, o jovem angolano Eldrige de Melo, especialista em negócios no sector espacial e também em Telecomunicações e Gestão de Projectos Aeroespaciais, teve a honra de aparecer nos murais de celebração dos grandes feitos dos alunos mais destacados da Universidade especial internacional.

Durante o ano de 2020, Eldrige de Melo destacou-se pela sua enorme contribuição e inúmeras representações de Angola no sector espacial, mudando vidas usando os seus conhecimentos e contribuições. Foi o primeiro angolano a participar no Programa de Pós-Graduação em comercialização do sector espacial, fruto de uma parceria entre a Universidade Espacial Internacional e a Florida Tech.

Sendo o único programa de certificação de nível de pós-graduação nos EUA, este ano foi desenvolvido no formato online devido a pandemia da COVID-19. O percurso de Eldrige de Melo no sector espacial que começa com o seu enorme contributo para o crescimento do programa espacial angolano, tendo se destacado a nível das Telecomunicações Espaciais, Gestão de Projectos e Operações Espaciais em Angola, e mais recentemente o seu contributo para a criação do ecossistema Espacial Angolano, passam a contar com o reforço das competências em política espacial comercial, mercados, tecnologia e empreendedorismo adquiridos durante essa pós-graduação.

Neste momento, Eldrige de Melo é gestor dos principais projectos europeus sob responsabilidade da ICEYE, a líder no sector espacial em Radares Espaciais de Abertura Sintética. Representa Angola como ponto de contacto para o Conselho Consultivo da Juventude Espacial de apoio ao programa espacial das Nações Unidas.

Com sede em Illkirch-Graffenstaden - Estrasburgo, França, a Universidade Espacial Internacional (ISU) é uma instituição dedicada a afiliações internacionais, colaboração e actividades acadêmicas abertas relacionadas à exploração e desenvolvimento do espaço sideral, foi fundada em 1987 garantindo a formação de excelência nos cursos de Mestrado em Estudos da Ciência Espacial, Mestrado em Administração da Ciência Espacial, e Mestrado Executivo em Administração de Negócios Espaciais.

Aquando do lançamento das primeiras imagens da SAR, houveram manchetes alegando que a tecnologia era capaz de ver o interior das residências, até mesmo monitorar pessoas.

Face a essas afirmações, o CEO da Capella Space, Payam Banazadeh, nega a veracidade dessas informações.

"Para ser claro e directo - essas afirmações estão incorrectas e não tem raízes na realidade e, de fato, as leis da física impendem nosso sensor de ver através de edifícios e paredes" disse o CEO da Capella Space.

Aquando da sua construção, a SAR não foi projectada para ver através dos edifícios. Ele pode captar imagens por meios de eventos climáticos extremos, nuvens, cinzas vulcânicas e outras condições atmosféricas.

De acordo com o site oficial da Capella Space, Banazadeh afirmou que os satélites e as operações são construídos tendo em conta os diversos regulamento governamentais que garantem a SAR como uma ferramenta privada e segura para melhor tomada de decisões que leva a melhores resultados humanitários e económicos.

Doravante, a Capella Space pretende continuar as suas actividades e operações, ciente de que os cidadãos ou população sintam-se seguro e com a sua privacidade salvaguardada.

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