outubro 28, 2021

Por: Celso Malavoloneke

 

A meio das férias, recebi um simpático convite da Huawei – UNITEL para participar online no lançamento dos serviços de “mobile money” (dinheiro via celular, em tradução livre) que resultara da parceria entre as duas empresas. A Huawei fornecera uma solução tecnológica flexível, adequada à nossa realidade e fácil de ser manejada por utentes e agentes, e a UNITEL pusera à disposição a sua formidável rede de cobertura tele-comunicacional, a maior do país.

Com grande pena minha, não pude aceitar o convite - já tinha programada uma excursão para o leste da província da Huíla onde me encontrava, nomeadamente no meu município natal do Kuvangu. Mas expressei à simpática senhora que transmitiu o convite a minha enorme satisfação por essa conquista e prometi que tão logo me fosse possível iria lá ver de perto como o sistema funciona.

O meu entusiasmo pelo assunto tem várias justificações, todas a ver com as minhas vivências profissionais: em 2015, quando era Director de Comunicação Institucional e Imprensa do MINARS, e no quadro dos primeiros passos das acções de transferências sociais monetárias não contributivas, fui enviado a fazer um curso de formação de um mês em Cape Town, sobre o assunto. É que eu era, então, defensor ferrenho da tese que me tinha sido inculcada na universidade canadiana onde me formei em Planeamento de Desenvolvimento Rural Internacional, que nunca se deve dar dinheiro às comunidades apoiadas. “Antes dar o anzol e ensinar a pescar que dar o peixe”, dizia-se. De forma que a então nova abordagem de dar um montante mensal às famílias beneficiadas fazia-me muita confusão na cabeça. Fui fazer o curso, compreendi o conceito e lá escolhi a especialidade de “inclusão financeira”.

A segunda vivência tem a ver com a minha participação enquanto Secretário de Estado da Comunicação Social no desenho do Projecto Kwenda. Sendo uma das componentes a entrega trimestral de 8.400 Kzs às famílias mais vulneráveis (entenda-se nas zonas mais remotas), fazer chegar este dinheiro é (era) um verdadeiro bico-de-obra. Um bom número de municípios não possui uma agência bancária sequer; outros só têm uma – o BPC – que funciona(va) com muitas deficiências. Lembro-me que, em 2019, fui em missão de serviço da vacinação da Pólio uma vez ao Chipindo/Huíla e outra ao Chitembo/Bié e tivemos que transportar as enormes quantidades de dinheiro vivo necessário para pagar ao pessoal e a logística da campanha, com todos os riscos que isso acarretava.

Na solução destes problemas logísticos pelo Projecto Kwenda, surgiu a ideia de, à semelhança do que já acontece em outros países, incluindo aqui na SADC, recorrer ao conceito do “mobile money”. Para isso, começou-se a discutir a ideia com a UNITEL. Aqui cabe fazer uma sentida homenagem à finada Dra. Eunice de Carvalho que, uma vez contactada, transformou-se numa entusiasta incondicional do projecto. O seu apoio, que se situava mais na vertente da responsabilidade social da empresa que numa nova área de obtenção de lucros – que até acaba sendo – e a sua inquebrantável fé e compromisso com os mais desfavorecidos foram fundamentais para que a UNITEL não desistisse perante os enormes desafios técnicos e tecnológicos que o projecto enfrentava. Ao ponto que, mesmo depois do seu infausto desaparecimento, a força da sua memória continuou a ser uma força motriz para aqueles que ficaram a tocá-lo para a frente…

É precisamente na solução de uma solução tecnológica simples, mas eficiente, que pudesse ser utilizada sem muita formação, que surgiu a Huawei no projecto. Com a experiência de outros países, tornou efectivamente possível que já se vislumbre no horizonte as famílias beneficiadas do Projecto Kwenda receberem a sua transferência monetária, bastando para isso ter um número UNITEL e viver perto de um agente UNITEL, seja ele uma loja ou um “mamadu”.

As enormes vantagens deste sistema financeiro não saíam da minha cabeça enquanto percorria os municípios do leste da Huíla: Quipungo, Matala, Jamba, Kuvangu… e em cada vila que passava, procurava nas ruas e na memória a existência de agências bancárias: Quipungo tem uma, tal como Jamba e Kuvangu; só Matala tem duas. Essas agências, ou não têm dinheiro, ou não têm sistema, ou os trabalhadores ausentaram-se para o Lubango… os multicaixa esquece, nunca têm dinheiro e quando têm são aquelas enchentes, principalmente no fim do mês. Por outras palavras, o sistema financeiro funciona com muita deficiência.

É isso que o “mobile money” pode resolver. Para já, acontece fora dos bancos. Entram mais dois actores no sistema financeiro do município e das comunidades: as lojas UNITEL (que também são poucas, é verdade) e os comerciantes das lojas de esquina (vulgo “mamadus”), esses em grande quantidade e que, de facto, já prestam esses serviços sem pagar um Kwanza de imposto ao Estado. Isso, e a quase falta de burocracia, é que, tenho a certeza, vão fazer a verdadeira diferença. E nisto, a Huawei foi visionária. O aplicativo que apresentou é tão fácil de usar que requer o mínimo de treinamento.

O impacto deste serviço na economia municipal e comunitária é enorme. Primeiro, vai ser mais fácil e rápido enviar dinheiro das cidades capitais para os municípios e comunas, o que significa dizer que vai haver mais dinheiro disponível lá para lubrificar a economia. O dinheiro nestas localidades é realmente sempre ao vivo e é muito escasso, o que prejudica os pequenos produtores e o comércio local. Segundo, vai possibilitar transacções mais ou menos grandes entre os agentes económicos locais de forma rápida, eficaz e segura. Estão definitivamente para trás os dias em que o Secretário de Estado tinha que carregar o seu jipe de caixas de dinheiro para pagar as despesas de uma campanha numa localidade distante. Da mesma forma, as famílias beneficiárias da acção social do Estado podem recebê-la em dinheiro. Mesmo as ajudas alimentares podem ser disponibilizadas desta forma, eliminando a logística, onerosa e consumidora de tempo, e possibilitando aos beneficiários adquirirem no mercado local o tipo de quantidade de géneros que consomem melhor, injectando no processo, dinheiro na economia local. Esses três são factores de inclusão financeira. Há um outro aspecto de importância nada desprezível que tem a ver com a não saída da massa monetária do circuito oficial: ao circular de forma mais digital que física, os dinheiros passam a não sair do controlo do sistema financeiro nacional. O que vai eliminar um dos maiores problemas com que se tem deparado nos últimos anos.

É por essas e outras razões que fiquei particularmente entusiasmado quando os serviços financeiros móveis arrancaram. Bem-haja à UNITEL e à Huawei, e faço votos que os serviços se expandam o mais rapidamente possível a todos os cantos do país. Encorajo e faço votos que os serviços sociais, comerciais, pequenas indústrias e até o Ministério das Finanças – no tocante aos pagamentos dos funcionários públicos e pensionistas – não hesitem em usar este serviço, de forma a potenciá-lo e assim trazer para mais perto dos cidadãos menos desfavorecidos, e não só, os benefícios dos serviços financeiros formais.

 

 

Já assistiu aos nossos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal clicando aqui !!!

A posse de um Terminal de Pagamento Automático (TPA) em Luanda tem sido a grande luta dos empreendedores nos últimos meses, apontando como as principais culpas, a burocracia e o preço elevado para o seu pedido de adesão, tanto na compra como no aluguer deste aparelho digital de operações bancárias.

Os empreendedores mostram-se sufocados com as taxas mensais e comissões por cada transacção numa forma de globalizar o pagamento digital com vista a reduzir os perigos atraídos pelo dinheiro "vivo".

Segundo o artigo do Valor Económico, os preços variam de banco para banco e alteram com o passar dos dias.
Só para o aluguer, algumas instituições começam por cobrar 15 mil kwanzas, um valor que pode chegar até aos 100 mil kwanzas. Mas o aparelho pertence ao banco e quem fica com ele responsabiliza-se por o manter. Caso contrário, terá de o pagar.

Para a compra, os preços variam entre os 198 mil a 250 mil kwanzas. A estes valores adiciona-se o custo de montagem, variável conforme o banco, a rondar entre os 6 mil e os 10 mil kwanzas.

Para a empresária Irene dos Santos, que falou a este jornal, é uma situação que provoca um "grande atraso na economia" e a banca não está a servir o mercado.

"O TPA representaria uma forte contribuição do sector informal. Se houvesse um TPA com uma zungueira ou num candongueiro, permitiria que a transacção fosse mais facilitada e eliminaria os constrangimentos que verificamos quando vamos ao multicaixa. Se a banca disponibilizasse o material a um custo mais baixo, quem sai ganhar é o cliente", opinou a empreededora.

BNA e a adaptação do Mibile Money

Lembrando que em Novembro de 2020, com o âmbito do Plano Nacional de Inclusão Financeira, cujo objectivo principal é o aumento do acesso da população não bancarizada aos serviços financeiros, o BNA conferiu à EMIS, a titularidade de se tornar na empresa responsável pela gestão da plataforma de Interoperabilidade e Câmara de Compensação do mobile money, na perspectiva de implementar um Sistema de Transferências

Móveis e Instantâneas (STMI), sob uma consulta feita pelo feita pelo BNA no dia 24 de Abril de 2020.
Durante este acontecimento o Portal de T.I tomou nota na qual o BNA, a Empresa Interbancária de Serviços e os demais stakeholders do sistema de pagamentos de Angola trabalharão conjuntamente para que, durante o ano de 2021, esteja concluída a infraestrutura do STMI, permitindo a total interoperabilidade entre as sociedades prestadoras de serviços de pagamentos móveis e instantâneos.

O Banco Nacional de Angola (BNA), atribuiu na passada sexta-feira(16), à operadora de telecomunicações móveis UNITEL uma licença de Prestador de Serviços de Pagamentos à Unitel Serviços Financeiros Móveis (SU), S.A.

De acordo com a informação veiculada no site oficial do BNA, o despacho exarado pelo Governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, a atribuição desta licença vai ao encontro de uma das acções prioritárias do Plano Nacional de Inclusão Financeira, que passa por garantir à população, um maior acesso à rede de serviços financeiros.

Com a atribuição de uma licença de Prestador de Serviços de Pagamentos à UNITEL Serviços Financeiros Móveis (SU), S.A., pretende o Banco Nacional de Angola massificar a inclusão financeira, através das transferências móveis e instantâneas, vulgarmente conhecidas como pagamentos móveis ou mobile Money.

Com a atribuição da referida licença, a UNITEL passará fornecer aos seus clientes, a possibilidade de efectuarem pagamentos de serviços online, com maior abertura ao Mobile Money.

O BNA relata ainda que a inclusão financeira é uma condição fundamental para o desenvolvimento económico sustentável, por isso tem participado em acções conducentes à criação de um ecossistema de pagamentos moderno e inclusivo.

A nova lei do sistema de pagamentos, cujo conteúdo propiciará a entrada de novos tipos de instituições financeiras (fintechs) assim como o Laboratório de Inovação do Sistema de Pagamentos (www.lispa.ao) são algumas dessas acções.

Por: Morato Custódio | Business Developer

 

Angola vive um ambiente fervoroso a volta da inovação tecnológica e é constante ver as novidades a volta do comércio digital desde as compras de bens até a compra de serviços, mas, o sector financeiro tecnológico é sem dúvidas o mais disputado e onde há maior intervenção do estado, Banca comercial e operadoras de telefonia móvel. As financeiras tecnológicas ou FinTech têm vindo a dar passos largos em Angola em termos de inovação tecnológica, uma vez que Angola tem muitas referências em África para adotar modelos operacionais e regulatórios, mas ao mesmo tempo tem dado passos tímidos a volta do ambiente regulatório.

Uma das questões que se tem colocado é sobre a diferença entre o Mobile Banking e o Mobile Money e é comum ver alguns conceitos misturados, confundindo não só a opinião pública como também alguns leigos em posições de tomada de decisão.

O Mobile Money é um serviço financeiro oferecido aos seus clientes normalmente por uma operadora de rede móvel (Ex. Unitel ou Movicel) ou outra entidade, independente da rede bancária tradicional (Ex. Xikila Money). Para o Mobile Money funcionar, não é necessário que o utilizador tenha uma conta bancária, sendo que o pré-requisito é um telemóvel básico (Bombinha).

Desde 1998 com o surgimento do PayPal, os serviços financeiros móveis têm evoluído continuamente a tal ponto que agora você pode enviar dinheiro a alguém como se estivesse a enviar um SMS, que é algo muito comum em África, especialmente no Quênia, onde podemos observar a maior rede de Mobile Money do mundo – O M-Pesa!

O M-Pesa foi lançado no Quênia em 2007 pela Vodafone e Safaricom, oferecendo aos usuários uma maneira de armazenar e transferir dinheiro nos seus telefones, para qualquer pessoa dentro da mesma rede de forma instantânea e esse serviço revolucionou o sector financeiro no Quênia, permitindo ao país o alcance para uma das maiores percentagens de inclusão financeira de África.


O Mobile Banking é uma extensão do serviço bancário tradicional. Para usar um banco, você precisa de uma conta bancária e com a inovação tecnológica é possível levar o seu banco no bolso consigo e visita-lo quando quiser e onde quiser, desafiando o modelo de distribuição tradicional baseado em agências bancárias que terá sempre um alcance limitado.

A maioria dos bancos Angolanos oferece aplicativos móveis que permite o acesso e gestão da sua conta bancária, como, consultar o saldo, solicitar transferências e aceder a serviços bancários, etc.

Existem alguns aplicativos de mobile banking que não estão associados a nenhum banco de forma exclusiva, como por exemplo o Multicaixa Express, que é um serviço digital que permite o acesso a operações financeiras que permite acesso a todos os usuários de cartões da rede Multicaixa, em suma, o Multicaixa Express é se calhar o maior concorrente dos canais digitais exclusivos dos bancos.

Pelo mundo assistimos a iniciativas privadas como o Monzo e o Revolut que são serviços de Mobile Banking 100% digital.

Os bancos tratam a questão da segurança com muito rigor – e devem – e o mobile banking não é exceção. A autenticação de dois fatores (onde você precisa ter um código enviado por mensagem de texto ou e-mail para autorização) é usada para logins, pagamentos e atualizações. Portanto, o mobile banking é um banco regular, mas com um interface digital instalado num dispositivo móvel.

Em suma...

Mobile Money e Mobile Banking são dois termos separados para uma forma modernizada de transação sem dinheiro físico, onde o mobile money é um meio de transação de pessoa para pessoa (P2P) que ajuda a pagar contas ou comprar produtos online com a ajuda de um telefone e o mobile banking permite que o utilizador tenha acesso a todos os serviços bancários, sem precisar ir ao banco ou ao Multicaixa.

© 2021 Portal de T.I Todos Direitos Reservados | Telefone: +244930747817 | E-mail: info@portaldeti.com