janeiro 25, 2021

África é um continente grande e com imensos recursos naturais, que vem crescendo nas últimas décadas. O crescimento é notável, rápido e contínuo. Com tudo, o continente tem vindo a sofrer mudanças constantes no que tange a questões económicas, políticas e tecnológicas, se adaptando com as alterações que o mundo vem sofrendo.

"Os desafios de África são enormes, crescer a dois dígitos, criar entre 12 e 15 milhões de postos de trabalho por ano, infra-estruturar e digitalizar. A boa notícia é que o continente tem os recursos necessários. A má é que tem apenas 10 anos para o conseguir se quer alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável". Resumo da conferência de Marraquexe, em 2019, de lá para cá (2021) podemos dizer que África tem 8 anos para alcançar o tão esperado desenvolvimento sustentável.

Tendências para o desenvolvimento Digital de África

O uso de recursos tecnológicos tem sido um tema abordado em África de uma forma frequente, já que o mundo tem mudado e nós com ele. As novas tecnologias têm melhorado a vida das populações a nível mundial, melhorando assim diversos sectores como da educação, economia, saúde, transporte e outros.

Abordando sobre a economia, que tem se adaptado de um modo digital, está a ter um grande impacto numa ampla gama de sectores, incluindo comunicação e tecnologias da informação, comércio, transporte, educação, saúde, agricultura e serviços governamentais, e está a oferecer enormes oportunidades de crescimento inclusivo no continente, também há ainda grandes desafios a ultrapassar.

Para o sector privado, a digitalização desestruturou os modelos de negócios tradicionais e facilitou o surgimento de vários subsectores de produtos e serviços online. A digitalização reduz as barreiras à entrada e expande o alcance do mercado para as empresas, e muda a forma como os negócios projectam e constroem marcas e produtos, comunicam e fornecem serviços aos clientes. Neste contexto, existem oportunidades ilimitadas para pequenas e médias empresas que constituem mais de 70% das empresas africanas.

Estas oportunidades que, acreditam os peritos, serão ainda mais reforçadas pelo aumento do acesso ao mercado, no âmbito da Zona Continental Africana de Comércio Livre, podem render dividendos transformadores para o sector privado, criação de emprego e crescimento inclusivo no continente.

O surgimento de diversas Startups ao redor do continente tem marcado fortemente o mercado africano, criando novas soluções, gerando emprego para a juventude e mostrando o potencial da comunidade jovem.

Desafios para o desenvolvimento digital de África

Começo por demonstrar os desafios para o desenvolvimento digital de África com uma pequena citação de Hayat Essakati, empreendedora marroquina, ao Expresso das Ilhas, "não se faz uma reforma digital sem uma reforma educativa e sem uma administração pública que perceba os novos tempos".

Não existe maior desafio em África do que a falta de educação, e não se fala simplesmente de educação digital, mas principalmente de uma reforma educativa que abrange todos os cantos do continente, o que infelizmente ainda não aconteceu. Vive-se ainda em África, tempos em que a educação escolar passa a ser conhecida como um tabu. Em diversas regiões, encontramos crianças e adultos que nunca tiveram a oportunidade de estar em uma sala de aulas e aprender a ler e escrever.

Para além da educação, ainda existe a falta de valorização da população mais jovem em que este facto não deve ser dissociado do relatório "África no ponto crítico", da fundação Mo Ibrahim, que diz que a média da população do continente está nos 20 anos, quando a dos seus governantes é de 66 anos. Este choque de gerações, segundo especialistas, ocorre por os jovens não terem vivido o colonialismo, mas sofrerem com o desemprego e a desigualdade, o que os faz sentir que não são valorizados pelos políticos, na sua maioria pertencentes à geração que os libertou do colono.

O choque de gerações prejudica a participação dos mais jovens nos grandes assuntos do continente, disperdiça o potencial de gerações inteiras, aumenta os movimentos migratórios e a fuga de cérebros, e ainda estimula o terrorismo. A fuga de África de jovens qualificados é "prenúncio de retrocesso do continente", advertem especialistas.

Uma forma de reverter este quadro é identificar formas de aproveitar o potencial dos jovens africanos no imediato, para garantir a prosperidade dos povos africanos e para o cumprimento das agendas 2030 de Desenvolvimento Sustentável e 2063 da União Africana.

Também o reduzir a pobreza, o desemprego e a desigualdade de gênero, ver os jovens africanos "além de noções estereotipadas de rebelião e vulnerabilidade", criar e promover espaços de debate entre a nova e a velha geração para esclarecer eventuais equívocos entre as partes.

"Há evidências suficientes que África pode ser transformada digitalmente. Mas o que está a impedir-nos?", perguntou Omobola Johnson, ex-Ministra da Tecnologia nigeriana, na palestra que deu aos ministros das finanças e a uma série de especialistas. "A acessibilidade é um problema: a meta acordada internacionalmente é que 1GB de dados não deve custar mais que 2% do rendimento mensal médio nacional. Em África, esse custo actualmente, ronda os  8,76%, comparado com 3,5% na América Latina e 1,54% na Ásia".

Johnson chamou também a atenção para o que considerou serem "tendências fiscais preocupantes", tanto na infra-estrutura digital quanto nas taxas de utilização, que podem ter consequências no aumento do custo da digitalização, restringindo assim o impacto transformador.

Conclusão 

Há evidências suficientes que África pode ser transformada digitalmente mas os impedimentos ainda existem e são constantes.

A existência de problemas no continente é visível, mas alguns deles têm sidos resolvidos pelo uso das novas tecnologias. A adaptação do continente demonstra uma grande maturidade e como está aberto a mudanças. Os Jovens como a força motriz não se estão a deixar para trás, criando assim novas soluções para tornar a vida mais fácil e acessível para todos.

Imagine que está a fazer um exame e tem de responder à pergunta abaixo.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: «SIM» (Minha resposta imediata)

Sim, estamos cada vez mais inteligentes. Sinto a Humanidade cada vez mais capaz de grandes realizações e em diferentes áreas do saber. Vejo avanços na investigação científica, vejo a descobertas fantásticas na medicina, vejo modelos complexos de engenharia aplicados de forma user friendly, vejo pessoas digitalmente mais incluídas e empreendedoras.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: NIM (Minha resposta após ponderação)

Se calhar não estamos assim tão (mais) inteligentes. Apenas estamos rodeados de mais smart things e devices que dão a ilusão de estarmos mais superdotados. Afinal o quotidiano 4.0 nos abraça com diversos conceitos «smart»: 

  • Smart TV
  • Smart Watch
  • Smart phone
  • Smart Wearable technology
  • Smart City

No fundo, estamos cada vez mais amigos da inteligência artificial e nos beneficiamos do exponencial de eficiência e eficácia que A.I proporciona. Ou seja, o homem (a)parece como o mais inteligente, mas na verdade, subcontratou a tecnologia para fazer grande parte do trabalho em sua representação. Por exemplo, o uso do Auto Pilot na aviação comercial, o carro autónomo e soluções de robótica.

Estamos cada vez mais inteligentes?

R: Não (Minha resposta depois de muitas dúvidas existenciais)

Estudos dizem que a próxima geração de pessoas (a geração dos “nativos digitais”) vai ter um quoeficiente de inteligência mais baixo que a geração dos seus pais. Isto porque o seu cérebro e actividade intelectual não é treinada convenientemente.  Os especialistas dizem que (entre outros factores) os dispositivos digitais afectam o desenvolvimento neuronal das crianças. A excessiva exposição à telas (televisão, tablets, mobile etc) diminui a capacidade cognitiva, perda de concentração, redução da capacidade de memorização e menor interacção social. Tudo somado, afecta a capacitação de comunicação, gestão emocional e a maturação cerebral das crianças.   

Bom. Confesso que nesta altura do exame «Eu só sei que nada sei», e as dúvidas sobre a resposta certa se estamos mais inteligentes ou não se avolumaram. Todavia, tenho uma certeza na vida:  

  • Desde o momento em que passei a usar a calculadora eu desaprendi a tabuada...

 Assim, o problema não é a tecnologia «fazer» as coisas por nós, o problema é deixarmos de pensar. Tenho dito! 

 

 

A IBM anunciou na passada segunda-feira(07), a pretensão de dar suporte às startups de agricultura digital em África, uma iniciativa denominada Digital4Agriculture (D4Ag).

A informação avançada pelo Techgist Africa, revela que a IBM pretende com isto, promover a sua participação no sector agrícola e melhorar o padrão de vida dos agricultores locais, permitindo processos agrícolas mais eficientes.

O serviço IBM Weather Company, fornece à várias empresas africanas uma previsão do tempo precisa, usando sua vasta experiência técnica e processos de negócios eficientes. O acesso a leituras meteorológicas confiáveis tem sido um grande revés para empreendimentos agrícolas de pequena escala, devido a falta de infraestrutura necessária e acesso à conectividade com a Internet ou dispositivo de comunicação móvel acessível.

De acordo com Florian Scheil, executivo financeiro para o sector Público da IBM, Os pequenos agricultores são a espinha dorsal do abastecimento de alimentos da África e seu sucesso e qualidade de vida dependem de ter dados e percepções de previsão do tempo confiáveis.

“Estamos orgulhosos de fornecer aos agricultores africanos informações meteorológicas e serviços acessíveis para ajudá-los a gerenciar e melhorar sua produção agrícola”, disse Florian.

O projecto nos últimos três anos desenvolveu uma plataforma de treinamento de e-learning interativa de três estágios, desenvolvida por especialistas em tecnologia da Sociedade Alemã para Cooperação Internacional (GIZ) e Serviços IBM, com base em dados meteorológicos de alta resolução fornecidos pela The Weather Company.

Nigéria aumentou consideravelmente no uso de moedas digitais, sendo agora líder em África, acumulando um valor transacional de pagamentos peer to peer (P2P), em criptomedas.

Este avanço deixou especialistas admirados, uma vez que, boa parte da economia mundial foi atingida pela recessão. Pesquisas apontam que, uma grande quantidade de nigerianos usa o Bitcoin.

Os volumes mensais estão avaliados em 25,8 milhões de dólares para Nigéria, 8,2 milhões de dólares para África do Sul e 7,7 milhões para o Quénia.

O porta-voz da Binance em África, Damilola Odufuwa, reportou sobre as acções desenvolvidas em África sobre os sector das fintechs.
“No ano passado, mais de 40.000 africanos receberam educação em criptomoedas gratuita por meio de programas / eventos educacionais da Binance", disse.

Odufuwa também falou sobre a necessidade de mais nigerianos adquirirem habilidades em torno da cadeia de valor de criptomoedas, levando em consideração que ela é agora a linha de vida moderna das operações financeiras e comerciais em todo o mundo.

“A indústria de criptomoedas ainda é uma indústria em crescimento, portanto, educar-se sobre criptomoedas e aplicar as habilidades que você já possui e colocar no universo cripto pode ajudar alguns dos desempregados”, acrescentou.

No caso particular de Angola, as transações P2P também estão em cresimento, segundo o a observação que se faz na Comunidade do Facebook. Porém, ainda não há nenhuma exchange P2P oficial, e maioria das transações são feitas para compra e venda de bitcoin, muitas vezes online. A Binance está a trabalhar para o lançamento da exchange P2P Yetubit para o final desse mês de Dezembro.

 

 

Fonte:Bitcoin Angola

Entrevista exclusiva, com o Eng. Dimonekene Ditutala, Director Local da Founder Institute Luanda (FIL), onde falamos sobre a FIL e o contributo das Startups no desenvolvimento do ecossistema digital angolano.
Pensamos ser um tema bastante pertinente, em função do novo paradigma a que estamos expostos.
Mais do que nunca, as Startups são agora chamadas para apresentarem soluções inovadoras para problemas que afectam directamente aos vários sectores da sociedade.

 

Clique aqui para assistir a entrevista completa.

Pág. 1 de 4
© 2020 Portal de T.I Todos Direitos Reservados | Telefone: +244930747817 | E-mail: info@portaldeti.com