junho 19, 2021

Como levar internet e ensino a todas as escolas do mundo por meio de ciência e tecnologia espacial – Parte 2

By março 28, 2021
Como levar internet e ensino a todas as escolas do mundo por meio de ciência e tecnologia espacial – Parte 2 Imagem: D.R

Em colaboração com Ruvimbo Samanga

 
Como foi possível constatar no artigo anterior desta série, o acesso à internet tornou-se parte integrante da vida dos cidadãos das zonas desenvolvidas. No entanto, em áreas rurais e isoladas onde barreiras financeiras e físicas proíbem o uso da infraestrutura tradicional da internet, o acesso depende de técnicas lentas e de alta latência.

O artigo anterior desta série partilhou o papel da conectividade para melhoria da qualidade e acessibilidade da educação em todo o mundo, acabando por focar no caso específico de Angola. Esta foi uma tentativa de preparar os leitores para melhor compreender a perspectiva do autor e pesquisar sobre como o Espaço tem transformado a conectividade e a educação para comunidades vulneráveis.

Neste segundo artigo o foco está em como efectivamente Angola pode levar conectividade e educação para comunidades vulneráveis.

Reconhecendo o enorme impacto que a conectividade tem no desenvolvimento socioeconómico, o projecto GIGA foi lançado pela UNICEF e a ITU em 2019. Esse Projecto tem como objectivo principal, estabelecer conectividade à internet em todas as instituições de ensino do mundo.

Com isso, o projecto GIGA espera dotar cada jovem de informações para promover sua liberdade de oportunidade e escolha.

A iniciativa do projecto auxilia no mapeamento do número e localização das escolas, bem como na avaliação de seu nível de conectividade para intervenção governamental. As instituições participantes e governos, usarão esses dados para destacar e direccionar áreas de necessidade e recursos necessários. O projecto GIGA está a ser implementado em 11 (onze) países, conectando mais de 89.000 escolas e mais de 25,8 milhões de alunos e professores. Os países participantes incluem El Salvador, Honduras, Cazaquistão, Quênia, Quirguistão, Níger, OECS, Ruanda, Serra Leoa, Uzbequistão e Zimbábue.

Para a concretização deste projecto, a UNICEF e a ITU procuram obter o apoio de governos, organizações internacionais, bancos de desenvolvimento, instituições sem fins lucrativos ou semelhantes, provedores de ISP ou de rede, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa para que as partes interessadas possam apoiar no mapeamento de escolas usando imagens de satélite e inteligência artificial no âmbito do PROJECT CONNECT.

Depois de serem mapeadas e terem acesso a internet, chega a última fase do projecto Giga. O uso da Internet para o Bem (Internet of God Things”, o programa UNISAT).

UniSat é um programa educacional projectado específicamente para meninas, que foi lançado na véspera do dia internacional da mulher, para desenvolver o conhecimento e as competências de meninas no desenho de missões de nanossatélites. Este projecto afirma os direitos das mulheres e meninas, observando com grande preocupação que uma em cada quatro mulheres jovens não está empregada ou não recebeu educação.

Passos positivos dados para conectividade escolar e educação espacial em Angola


Na verdade, uma série de iniciativas foram lançadas para apoiar este mandato, que serão resumidas abaixo e posteriormente expandidas em um artigo de acompanhamento.

Este artigo preliminar actua como a cola que conglomerará todas essas iniciativas existentes para operar dentro de um ecossistema vibrante que irá maximizar o esforço conjunto para melhorar as opções de conectividade para todos os angolanos.

1. A Unitel, empresa privada de telefonia móvel em Angola, concluiu recentemente uma parceria com a UNICEF para impulsionar a conectividade móvel, apoiando assim o projecto GiGa.
2. A Humbitec, uma start-up angolana que alavanca competências e ferramentas geoespaciais, comprometeu-se a apoiar a iniciativa, fornecendo o mapeamento e localização necessários das instituições de ensino em Angola. Com isso, a Humbitec também está a apoiar o Project Connect.
3. O Programa Espacial Nacional de Angola tem investido em dois satélites de comunicações (AngoSat-1 e AngoSat-2), dedicados à expansão da conectividade do país.
4. O governo angolano já instituiu uma política e iniciativa de e-learning que irá apoiar os esforços de capacitação para conectividade e educação (incluindo alguns dedicados a impulsionar a educação espacial, especificamente).
5. A pesquisa desenvolvida com a intensão de implementar o projecto GIGA em Angola também está a ser apresentada para explorar a função que o blockchain terá na implementação do projecto. Isso envolve a integração de tecnologias de blockchain para rastrear a manutenção de registros do aluno e o lançamento de aulas e cursos inteligentes (automaticamente quando certas condições são atendidas).
6. O Governo de Angola está fortemente empenhado em melhorar o seu sistema educativo, e por este motivo, o Ministério da Educação de Angola recebeu financiamento do Banco Mundial para o PAT (Projecto Aprender para Todos). O Projecto é de âmbito nacional e faz parte de um programa de investimento mais abrangente para melhorar a qualidade da educação em Angola.

Projecto Aprender para Todos

Ao mesmo tempo que as acções do PAT estão sendo concluídas, estão sendo desenvolvidas acções para a concepção de um novo projecto de investimento, denominado PAT II. Este novo projecto terá um efeito directo sobre: fornecimento de informações e serviços de saúde para adolescentes; equipar os adolescentes com habilidades, incluindo habilidades para a vida, e oferecer uma segunda chance; remover barreiras à educação de meninas; promover uma melhor educação; apoiar os professores em sala de aulas; medir a aprendizagem e o ensino para alcançar melhores resultados; aumentar a alfabetização através do uso de línguas africanas; restaurar e ampliar a oferta de educação; melhorar a gestão escolar, monitorar e avaliar a implementação de políticas educacionais (inovadoras).

"Fonte: Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação – Ministerio da Educação"

A próxima parte desta série irá detalhar os projectos mencionados acima, antes de fornecer recomendações suscintas e práticas para trazer a plena realização desses objectivos ambiciosos, destacando o envolvimento necessário das partes interessadas e a contribuição de recursos exigidos nos níveis internacional, nacional e local.

Marco Romero

Eng.º de Sistemas Espaciais - ISAE SUPAERO | Especialista de Navegação e Balística - GGPEN | Eng.º Aeronáutico - FAN

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