março 02, 2021

Tendências e desafios para o desenvolvimento digital de África

By janeiro 19, 2021
Tendências e desafios para o desenvolvimento digital de África Imagem: D.R

África é um continente grande e com imensos recursos naturais, que vem crescendo nas últimas décadas. O crescimento é notável, rápido e contínuo. Com tudo, o continente tem vindo a sofrer mudanças constantes no que tange a questões económicas, políticas e tecnológicas, se adaptando com as alterações que o mundo vem sofrendo.

"Os desafios de África são enormes, crescer a dois dígitos, criar entre 12 e 15 milhões de postos de trabalho por ano, infra-estruturar e digitalizar. A boa notícia é que o continente tem os recursos necessários. A má é que tem apenas 10 anos para o conseguir se quer alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável". Resumo da conferência de Marraquexe, em 2019, de lá para cá (2021) podemos dizer que África tem 8 anos para alcançar o tão esperado desenvolvimento sustentável.

Tendências para o desenvolvimento Digital de África

O uso de recursos tecnológicos tem sido um tema abordado em África de uma forma frequente, já que o mundo tem mudado e nós com ele. As novas tecnologias têm melhorado a vida das populações a nível mundial, melhorando assim diversos sectores como da educação, economia, saúde, transporte e outros.

Abordando sobre a economia, que tem se adaptado de um modo digital, está a ter um grande impacto numa ampla gama de sectores, incluindo comunicação e tecnologias da informação, comércio, transporte, educação, saúde, agricultura e serviços governamentais, e está a oferecer enormes oportunidades de crescimento inclusivo no continente, também há ainda grandes desafios a ultrapassar.

Para o sector privado, a digitalização desestruturou os modelos de negócios tradicionais e facilitou o surgimento de vários subsectores de produtos e serviços online. A digitalização reduz as barreiras à entrada e expande o alcance do mercado para as empresas, e muda a forma como os negócios projectam e constroem marcas e produtos, comunicam e fornecem serviços aos clientes. Neste contexto, existem oportunidades ilimitadas para pequenas e médias empresas que constituem mais de 70% das empresas africanas.

Estas oportunidades que, acreditam os peritos, serão ainda mais reforçadas pelo aumento do acesso ao mercado, no âmbito da Zona Continental Africana de Comércio Livre, podem render dividendos transformadores para o sector privado, criação de emprego e crescimento inclusivo no continente.

O surgimento de diversas Startups ao redor do continente tem marcado fortemente o mercado africano, criando novas soluções, gerando emprego para a juventude e mostrando o potencial da comunidade jovem.

Desafios para o desenvolvimento digital de África

Começo por demonstrar os desafios para o desenvolvimento digital de África com uma pequena citação de Hayat Essakati, empreendedora marroquina, ao Expresso das Ilhas, "não se faz uma reforma digital sem uma reforma educativa e sem uma administração pública que perceba os novos tempos".

Não existe maior desafio em África do que a falta de educação, e não se fala simplesmente de educação digital, mas principalmente de uma reforma educativa que abrange todos os cantos do continente, o que infelizmente ainda não aconteceu. Vive-se ainda em África, tempos em que a educação escolar passa a ser conhecida como um tabu. Em diversas regiões, encontramos crianças e adultos que nunca tiveram a oportunidade de estar em uma sala de aulas e aprender a ler e escrever.

Para além da educação, ainda existe a falta de valorização da população mais jovem em que este facto não deve ser dissociado do relatório "África no ponto crítico", da fundação Mo Ibrahim, que diz que a média da população do continente está nos 20 anos, quando a dos seus governantes é de 66 anos. Este choque de gerações, segundo especialistas, ocorre por os jovens não terem vivido o colonialismo, mas sofrerem com o desemprego e a desigualdade, o que os faz sentir que não são valorizados pelos políticos, na sua maioria pertencentes à geração que os libertou do colono.

O choque de gerações prejudica a participação dos mais jovens nos grandes assuntos do continente, disperdiça o potencial de gerações inteiras, aumenta os movimentos migratórios e a fuga de cérebros, e ainda estimula o terrorismo. A fuga de África de jovens qualificados é "prenúncio de retrocesso do continente", advertem especialistas.

Uma forma de reverter este quadro é identificar formas de aproveitar o potencial dos jovens africanos no imediato, para garantir a prosperidade dos povos africanos e para o cumprimento das agendas 2030 de Desenvolvimento Sustentável e 2063 da União Africana.

Também o reduzir a pobreza, o desemprego e a desigualdade de gênero, ver os jovens africanos "além de noções estereotipadas de rebelião e vulnerabilidade", criar e promover espaços de debate entre a nova e a velha geração para esclarecer eventuais equívocos entre as partes.

"Há evidências suficientes que África pode ser transformada digitalmente. Mas o que está a impedir-nos?", perguntou Omobola Johnson, ex-Ministra da Tecnologia nigeriana, na palestra que deu aos ministros das finanças e a uma série de especialistas. "A acessibilidade é um problema: a meta acordada internacionalmente é que 1GB de dados não deve custar mais que 2% do rendimento mensal médio nacional. Em África, esse custo actualmente, ronda os  8,76%, comparado com 3,5% na América Latina e 1,54% na Ásia".

Johnson chamou também a atenção para o que considerou serem "tendências fiscais preocupantes", tanto na infra-estrutura digital quanto nas taxas de utilização, que podem ter consequências no aumento do custo da digitalização, restringindo assim o impacto transformador.

Conclusão 

Há evidências suficientes que África pode ser transformada digitalmente mas os impedimentos ainda existem e são constantes.

A existência de problemas no continente é visível, mas alguns deles têm sidos resolvidos pelo uso das novas tecnologias. A adaptação do continente demonstra uma grande maturidade e como está aberto a mudanças. Os Jovens como a força motriz não se estão a deixar para trás, criando assim novas soluções para tornar a vida mais fácil e acessível para todos.

Elisa Capololo

Licenciada em Engenharia Informática, amante de tecnologia e empreendedorismo tecnológico. Trabalha como engenheira de software, é co-organizadora do GDG Luanda e embaixadora das Women Techmakers Luanda.

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