setembro 18, 2020

Presença de Blockchain e criptomoedas dentro da economia angolana e perspectiva futura

By agosto 17, 2020 0
Presença de Blockchain e criptomoedas dentro da economia angolana e perspectiva futura Imagem: D.R

 

Por: Alexandre Sérgio Manganda | Economista | Ceo e Fundador da Startup Field Right.

 

O propósito geral visa demonstrar a importância de se compreender esse fenómeno tecnológico que está rompendo paradigmas económicos e sociais. Na medida em que o momento actual é de buscar pela modernização dos procedimentos da economia, a fim de facilitar e acelerar o desenvolvimento económico. Possibilitar ao leitor tomar um primeiro contacto com matéria. No dia a dia os agentes económicos buscam transaccionar ou investir em Bitcoins em mercados diferentes. No modo lógico podemos dizer que está pesquisa acaba sendo de extrema importância para a literatura económica e áreas afins. Conforme Farhi (1999 pág. 107) “o impacto macroeconómico da arbitragem não pode ser subestimado, já que essas operações transformam-se num dos principais veículos de unificação internacional dos preços de activos financeiros de mesma natureza”, de seu ajustamento temporal e a sua transmissão dos impactos sofridos num mercado para os outros.

 

É necessário ressaltar que o presente artigo não pretende discutir ou mesmo aprofundar questões técnicas de informática ou discussões sobre qual é a melhor criptomoeda, e qual é a melhor linguagem de programação ou sistema de criptografia, apesar de utilizarmos essas ferramentas.Para compreendermos melhor é factível analisarmos a moeda criptográfica Bitcoin e a tecnologia blockchain, descrevendo brevemente, sua história e consolidação como a principal criptomoeda no mercado até 2017. A relação entre Blockchain e Bitcoin? É muito comum as pessoas podem confundirem essas duas coisas e é natural que façam Blockchain é a plataforma tecnológica utilizada para o funcionamento da rede Bitcoin e de várias outras criptomoedas. Bitcoin é a primeira e a mais conhecida aplicação da tecnologia Blockchain. A tecnologia blockchain surgiu em Outubro de 2008, e o seu fundador é Satoshi Nakamoto lançou seu artigo denominado Bitcoin: a Peer-to-Peer Electronic Cash System, na internet (MANAF, ET AL,2011). É importante frisar que as relações económicas caminham junto com a evolução da humanidade. Nesse aspecto, nos primórdios da história quando não existia dinheiro a troca de produtos era uma prática comum, ao longo do tempo as mercadorias poderiam ser trocadas por alguns metais como, por exemplo, a prata ou o ouro. Sendo assim, um conceito de valor foi dado pelas pessoas aos metais, que obtiveram poder de troca, isso facilitou a prática e o desenvolvimento da economia ao longo dos séculos (ANTONOPOULUS, 2016, pág. xvii).

As moedas virtuais, possuem valor adquirido e consequentemente tem valor de compra. Não obstante, as criptomoedas rompem com o modelo tradicional da economia, na qual toda operação financeira é feita com a supervisão de um órgão fiscalizador, como seria o papel do banco central nas operações que envolvem o kwanza em Angola. No caso dos bitcoin, entra em cena o sistema blockchain em que tudo é fiscalizado e confirmado por milhares de computadores em várias partes do mundo, sem haver um único órgão para isso. A criptomoeda pode servir como uma maneira de driblar a inflação e resolver alguns outros factores económicos. Pesquisa da KPMG realizada em 2019 revelou que 41% dos líderes tecnológicos são favoráveis à adopção de blockchain nos negócios durante os próximos três anos. A instituição entrevistou mais de 740 líderes globais, de mais de 12 países. A pesquisa também mediu o impacto da tecnologia e 48% dos participantes declararam que o blockchain pode mudar a forma como os negócios serão conduzidos nos próximos anos.

Algumas pesquisas já mostraram que as criptomoedas possuem pouca correlação com outros activos, como acções ou moedas. Assim, é possível aumentar o retorno de seu portefólio e ainda diminuir os riscos gerais. Claro, o investidor deve ter cuidado com quanto de seu património colocar em criptomoedas. No Mercado Bitcoin, não recomendamos mais que 10%. Além disso, o Bitcoin é seguro por conta da blockchain, tecnologia por trás das criptomoedas, sendo imutável e permanente.
Quando fazemos uma transacção com Bitcoin , ela é reunida a outras, em um bloco. Cálculos de rentabilidade não são lineares, para Angola isso é uma vantagem .

As criptomoedas podem ser utilizadas internacionalmente para exportar ou importar serviços usa-lá como forma de pagamentos, então podemos considerá-las divisas. Portanto a grande vantagem é que o nosso custo de energia (0.03 USD/kWh) é baixo do que comparando com outros países, como por exemplo os EUA ( 0.10 USD/kWh).

As empresas ou pessoas que vão fazer mineração em Angola, estarão literalmente a comercializar a energia (que é paga em Kz) por criptomoedas. De facto por causa deste baixo custo de energia, os miners em Angola serão um dos últimos a perder rentabilidade e em Angola as empresas ou pessoas ganharam sempre. A inserção de criptoactivo em Angola à economia mundial como sabemos, que o país primordialmente é exportador de petróleo e, até certo ponto, de diamantes, limitou de forma significativa o potencial de diversificação da economia, tornou extremamente difícil a criação de um sector manufactureiro nacional capacitado para competir com as importações ou preparado para exportação, e reforçou que a presença de blockchain e criptomoeda essencialmente extractiva da economia.

Para regulamentação de Criptoativo em Angola devem incidir em questões secundárias, como por exemplo, incentivar a implementação de medidas de informação e segurança para os consumidores, alertando para os risco e vantagens do seu uso, assim como é feito para quaisquer outros serviços financeiros. As corretoras de criptomoedas devem servir para estimular sempre melhorarem sua comunicação com seus clientes, e reforçar seus mecanismos de segurança. Incentivos como desoneração tributárias para mineradores de criptomoedas e empresas de tecnologia devem ser experimentados, visto que o mercado de criptomoedas tem grande impacto na economia, além de fomentar vários ramos da ciência como a matemática, direito, economia, ciência da computação e em especial “big data”, criptografia e desenvolvimento de hardware.Por fim, governos e mercados (empresas e sociedade civil) devem se preparar para entrar na era digital, estimulando a inovação e pesquisa nas universidades para possibilitar o surgimento de novas tecnologias e serviços que irão trazer novas facilidades e desafios.

Em suma é importante ressaltar que, como vivemos na era digital, onde todos estão conectados as redes sociais, qualquer movimento de grandes empresas, visando aumentar artificialmente a importância de determinada moeda, será facilmente detectado e desmoralizado, por isso, a pesquisa deve realmente ser focada na moeda que mais benefícios trás para a economia nacional.

Hipótese dos mercados eficientes postula que o preço dos activos reflecte totalmente na toda informação disponível. A teoria foi desenvolvida e sustentada empiricamente e maioritariamente pelos economistas Eugene Fama e Kenneth French.

Mostram as evidências mais robustas para a hipótese dos mercados eficientes tem origem de estudos de evento. Ou seja, eventos precisamente datados e com um efeito expressivo nos preços (exemplo: combate a corrupção em Angola) fornecem uma estimativa da velocidade de ajuste de preços à chegada da nova “informação” (ver Fama e French (1980), Fama (1991) e Cochrane (1991)). Para a literatura de finanças corporativas os resultados apontam que os preços rapidamente se ajustam às informações que “fazem preço”, como mudanças na estrutura de capital e mudanças de política de dividendos. A implicação directa da teoria de mercados eficientes em sua vertente forte e semi-forte é que obter retornos em excesso consistentemente é impossível.

Conclui-se, que as criptomoedas são uma evolução da economia, sobretudo, vinculada as tecnologias dos computadores e da internet nesse novo século. Sendo assim, as moedas virtuais serão cada vez mais usadas pelo mundo, o que contribui para uma nova revolução económica que se inicia. Dessa forma, os governos precisam desenvolver políticas para esse novo cenário. O governo angolano, através do ministério da economia, deve divulgar o tema para que haja esclarecimento, promover campanhas nas universidades para que os estudantes se despertem para o significado das moedas virtuais. Já as empresas angolanas, devem favorecer o uso dessas moedas como já acontece em outros países, a fim de que facilitem seu uso. Dessa forma, será extremamente bom para a economia angolana o uso das criptomoedas como, por exemplo, o Bitcoin. 

Joaquim Cassicato

Técnico de telecomunicações & Redactor.

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