setembro 18, 2020

Tecnologia não fala política

By julho 21, 2020 0

Uma das grandes (boas) lembranças do tempo de faculdade em Lisboa são certamente as longas jornadas de estudo para os exames. A leitura é uma parte importante do processo de aprendizagem, e ler livros técnicos - para os universitários - tem o seu próprio segredo.

Enquanto que num romance e literatura afim, devemos ler sequencialmente o livro, ou seja, do início ao fim, pois existe uma certa «narrativa», «novela» ou crescimento de «personagens». Já nos textos científicos e técnicos, a leitura é diferente. Aqui os conteúdos são «compartimentalizados» ou seja, cada capítulo é uma informação acabada e consolidada, de forma a que, o leitor pode investigar apenas o assunto que lhe concerne sem ler o livro todo, fazendo uma «leitura selectiva».

Exemplos de textos científicos?

Um Código Civil, uma Enciclopédia ou um Livro Branco das TICS.

Portanto, uma leitura selectiva não é preguiça, é sim é uma técnica de segmentação. Se assim não fosse, não poderia ter conseguido consumir alguns livros de cabeceira como as 724 páginas, do livro «Administração de Marketing» de Philip Kotler, ou as 595 páginas do livro «Estratégia» de Adriano Freire, ou as 94 páginas do Livro Branco das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Outra grande lembrança, neste caso do tempo da escola, era o debate entre testes com perguntas com múltiplas respostas (cruzinhas) vs testes com perguntas de desenvolvimento. Enquanto a primeira opção procura medir o nosso conhecimento ou memorização (saber se tu sabes) a segunda opção procura explorar o teu raciocínio ou perspectiva (saber o que pensas sobre aquilo que tu sabes).

No fundo, as perguntas de desenvolvimento são como o Livro Branco das TICS. O exercício que é pedido ao autor é sensivelmente o mesmo, ou seja, dar a sua visão estratégica sobre um tema, fazer a interligação desse tema com o seu contexto, dar uma perspectiva operacional, problematizar, dar ideias e soluções sobre questões emergentes.

Por isso tudo, todo e qualquer universitário entendia o porquê das perguntas de desenvolvimento terem um número mínimo de palavras. Implicitamente, o professor estava a dizer que o aluno deveria dar profundidade na sua análise, contribuir para a ciência e de alguma forma, antes de concluir com a inferência deveria dissertar muito bem sobre as premissas.

Significa dizer que quantidade é qualidade? Não. Mas tem de haver quantidade bastante para haver um conteúdo de qualidade (densidade e profundidade). Fazer ciência não é como fazer prosa ou poesia, em que uma palavra apenas é suficiente para fazer magia e onde até o silêncio tem mais de mil significados, citando Jean-Paul Sartre “cada palavra tem a sua consequência, cada silêncio também”.

Fica a sugestão de leitura da secção sobre Inovação (página 85) do livro Branco das TICS

Por outro lado, é também uma best practice que documentos técnicos, científicos vulgo «White papers» que tenham o intuito de trazer conhecimento ou captar interesse internacional tenham uma versão em inglês, pois parte dos skateholders no contexto de aldeia global e digitalização actual, serão necessariamente supranacionais. Sim, significa dizer deveria ter traduzido este artigo. As minhas sinceras desculpas. Tenho dito!

Luís Catuzeco José

Luis Catuzeco José é um entusiasta pela partilha de conhecimento e debates sobre temas relacionados com novas tecnologias e sociedade.

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