setembro 27, 2021

O que ganhamos com mais uma telefonia móvel no país?

By setembro 07, 2021
O que ganhamos com mais uma telefonia móvel no país? Imagem: D.R

O desenvolvimento social e económico de um país, há muito que ficou também dependente das infra-estruturas tecnológicas existentes. Apostar neste tipo de infra-estrutura, é a melhor saída para o crescimento sustentável das pessoas. A abertura do concurso público (que escolheu a Africell) por parte do governo angolano, com vista a elevar o número de operadoras de telefonia no país, não será (penso eu), para nós clientes ou usuários, um mero sentido de cumprimento de números.

Os dados mostram que o crescimento acelerado da inclusão digital e do ecossistema da internet em África é suportada maioritariamente por operadoras móveis de telecomunicações. Em Angola a realidade não é diferente. A Unitel, a Movicel e num futuro breve a Africell, terão de "lutar" pela aceitação permanente dos cerca de quinze milhões de assinantes de telefonia móvel e sete milhões de utilizadores de Internet.

Julgo que não tem sido uma tarefa fácil para as duas operadoras móveis actuais e nem será quando a terceira (móvel) iniciar as operações, julgando pela maturidade do consumidor angolano, principalmente dos serviços de telecomunicações.

De acordo com os dados do INACOM, que aponta para sete milhões de usuários de internet em Angola, no universo de quinze milhões de assinantes dos serviços de telefonia móvel, será um factor a ter em conta (por parte das operadoras) nesta "batalha" de elevar a fasquia do número de usuários de internet em Angola, propondo planos atractivos para os que já têm acesso e criar políticas de redução de preços dos dispositivos que facilitam o acesso à internet, com vista a incluir os cerca de oito milhões de usuários de telefonia móvel sem acesso à internet - serviço com mais procura no sector de telecomunicações nos últimos tempos.

Enquanto estudante na Índia - o segundo maior mercado de telefonia móvel do mundo, conheci duas (entre as nove) operadoras que disputam freneticamente a concorrência daquele país: a Airtel e a Vodafone Índia. Pela minha necessidade, que era essencialmente do uso de internet, escolhi a Airtel, não por ser a maior operadora do país, mas sim por atender o que precisava, por um custo mais baixo do que as demais. Para se ter uma ideia, a Airtel tem um plano de 3 GB de dados por dia, durante três meses, com direito a chamadas gratuitas e ilimitadas para clientes da sua rede por um valor equivalente a 2.700,00 Kz. Quem ganha com isso, com certeza é o cliente.

Quando não há concorrentes a altura, quem sofre é o consumidor que se vê na obrigação de consumir o que lhe é imposto na ausência de outras alternativas. Porém, não se pode pensar que o número de operadoras por si só, fará com que haja maior satisfação das necessidades dos consumidores. A capacidade de entregar produtos e serviços de qualidade e a menor custo, definirá a aceitação dos consumidores em qual das três operadoras aderir.

 

Joaquim Cassicato

Técnico de telecomunicações & Redactor.

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